18 de novembro de 2017


Hoje

Com o hoje chegou? A vida ontem foi colocada a prova, ainda assim, o sol nasceu para nós. Como eu cheguei até aqui, fica confuso. O caminho, de repente, ficou escuro, parece vazio, o passado parece ter se apagado, nada restou. Mas uma certeza é que o "hoje" chegou, e sobrevivemos até aqui.


O sol viveu ao nosso tempo, brilha hoje para mim, coração solar vive primavera no verão, é tato, é visão, o hoje chegou, mas até onde dura? Quando ele acaba? Balança a vida, entende que a ordem das coisas só há uma ordem, não ter uma. O amanhã antecede um hoje que ainda não foi ele, sempre foi assim, essa é uma regra nas coisas, o sol pode não chegar amanhã.

Mas o que você espera que aconteça? Na multiplicidade da vida, entender alguma coisa singular é compreende-la. Esse texto nasce ontem, mas isso não significa que não é feito da verdade. Hoje o dia chegou, o agora é uma verdade, sim existo porque sinto a vida, caso contrario, eu não seria eu.

O hoje ainda é ele, enquanto durar, pode ser eternidade, isso só cabe a ele. Posso ser maior que o tempo, e isso só cabe a mim, saber se suporto tanto. E sei que posso ser eterno, mas prefiro ser o agora.

Sinta a vida descer, chegar na barriga e dá uma sensação estranha, a vida é líquida, quando menos se espera, secou, esvaziou, esfriou, e há quem não goste dela quente. Mas não vim para falar dela. O hoje fará eco no amanhã, e tudo que se diga pode dura pela eternidade.


É quarta e as coisas precisam ganhar seus devidos fins, acaba aqui, hoje. Sempre ele, hoje, mudou, mas continua o mesmo, na essência de si, igual. Alguém bateu na minha porta. Mas amanheceu chovendo, e é novembro, nada nisso tudo faz e nem tem feito sentido, esse talvez seja o real sentido de hoje, não ter sentido.

Amanheceu chovendo, os desenhos de giz, feitos no chão, irão todos embora, faz frio e mesmo assim o amor completou aniversario da mentira. Fiz o que fiz, e não me arrependo de nada. Viverei que escolhi, e isso não é um erro.

O hoje chegou, não se sabe como, só chegou. Pela tarde tudo será novo, ele poderá durar para sempre. Seguindo sinais, ecos de um eu anterior a mim, que viveu em um passado confuso e tortuoso. Viverei da simplicidade do agora, vestirei a beleza mais insuspeita, respirar da verdade, ouvir o mais estrondoso silêncio, porque não sei explicar, mas o hoje chegou, e esse é o começo do resto da minha vida.
  
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13 de novembro de 2017


Para Sempre - A história de quando te conheci

Ali, passando em meio do vai e vem, eu te vi. Mas aí deu o vento e te levou. Para onde eu não sei, mas te queria por perto. A lua, assistia a festa toda lá de cima, os iguais, o protesto feito da mais verdadeira forma, que não usa palavras de ordem, muito menos cartazes. Um protesto de amor. Ele sempre vence.

Atrás do trio eu fui, de musica em musica, dança por dança, até que me senti, você estava por perto, fiquei a sua procura, mas foi em vão, você sumiu de novo. Parado ali em meio a todo mundo, dançava quando vindo em meio a multidão, era você. O coração simplesmente fez uma festa no peito.


Passou e quase que te perdi de novo, então puxei teu braço e você me olhou com aquela cara de "quem me puxando", mas logo desfez quando viu que era eu, fui ao pé do ouvido e foi ali que tudo começou.

Num beijo único, a reação inerte, um ato quase que poético, você me ganhou, sem contar no sorriso, de longe um dos mais simples e mais encantadores que já vi. É você, o coração que falou. Pensava que você fosse, mas ficou ali, me vigiando me olhando, como o predador vigia a presa.

Fui só mais um? O primeiro? O último? Ficou a dúvida. Mas independente disso só precisava ser especial enquanto durasse. E foi nos teus olhos que o coração fez calmaria. Acalma a alma, inquieta.

Fica confuso dizer ou pensar algo, via das coisas que aconteceram e que podem acontecer. Se erro por fazer isso, prefiro ficar persistindo no erro, continuar sendo burro. Nas vésperas de uma data tão especial, ali em uma festa tão linda que você me veio, a vida que te trouxe. O acaso mais perturbador e reconfortante de todos.


Certas coisas na vida, só nós entendemos, porque pertences é nosso. Se eu pudesse te levar para algum lugar, sabendo que aceitaria. Não te levaria para lugar nenhum, porque ficaremos numa busca eterna pelo nosso lugar no mundo, uma viagem que nunca tem fim. Buscar um campo para ver as estrelas, uma praia onde o som mais humano que se ouça seja o da tua voz. Te levarei comigo, levarei aqui, para sempre. Porque ainda que as coisas tenham fim, a eternidade parece pequena para frente a nossa história.
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11 de novembro de 2017


De noite

Corra, antes que seja tarde.

De noite os monstros saem para brincar, um deles se chama pelo meu nome, quem sabe sou eu. É a hora perfeita, nunca se sabe para que.


O sol se esconde então todos os monstros ganham alforria, a liberdade canta e o mundo entra numa eterna bagunça, uma ciranda dos perigos, todos a espreita da primeira oportunidade. A noite é morada para muitas das coisas que fugimos, das quais nos escondemos, omitimos, calamos e ate mesmo mentimos sobre suas existências, o perigo pode sim estar de baixo da sua cama. Pode sim morar dentro do seu guarda-roupa. Por isso, verifique antes que aconteça alguma coisa.

Não falo aqui de medos vendidos pela TV, falo de medos reais, humanos, solidão, a cegueira, cobras, baratas, lagartos, aranhas, gravidez e o mais clichê de todos a morte. Aqui ninguém caça fantasma. Hoje acordei feliz e acredite, tudo é possível, estamos perto de meia-noite, é uma noite de terror, nessa hora tudo pode acontecer.


Sinta-se feliz a noite e não será humano. Vim ao mundo de dia, mas minha morada se faz quando o sol de vai, não que isso faça de mim uma dessas criaturas, talvez sim. Mas a loucura tem seu preço. Criatura da noite. Saia para passear e acima de tudo, sobreviva aos perigos que por aí existem, lembre-se essa noite os monstros estão a solta. A escuridão pode ser vista do horizonte. Num horizonte.

Quem é você da porta para fora? Coragem ou medo? Eu sou criatura. Aviso, não julgue o livro pela capa. Quem melhor te conhece, mais fácil pode te destruir e o perigo, pode vim do seu aliado. O tempo é passageiro, um fato que não se nega. Desce é tempo de festa.


Se você for pego com um plano, querido, não entre em pânico. Sobreviva ate o amanhecer, e se algo se mover no escuro, ataque, mostre a que veio. Os fracos não ficam para contar a história, ela é contada pelos fortes, os que sobreviveram ate o final. Se algo se mexer no escuro, essa historia vai depender único e somente de quem você é. E nada mais será o mesmo.
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4 de novembro de 2017


Canto para as estrelas

Quero um lugar longe, onde só eu saiba chegar, lá a vida não tem obrigações, nem vai lembrar de quem é, muito menos de sê-la. É só a vida que é vida e pronto. Quero ser algo indeterminado, preciso disso, deixar eu ultrapassar a mim mesmo, preciso chegar lá. Seja como for o preço que se pague. Mas tenho que ir.
 
Virar um bicho do mato, sentir a neblina molhar o rosto, e dormir na esperança de um dia de sol, ou mesmo de calmaria e vai amanhecer, tenho fé disso. Sentir o sol puro esquentar minha pele meio a brisa da manhã, saber que ali, onde estou, posso ser feliz mesmo longe de exageros ou excessos. Viver muito com pouco. Só isso.

Vou levar Clarice, na bolsa, embrulhada numa camisa, que é para não amassar. Quando o sol se for, sentarei na varanda para receber os bichos e juntos faremos um canto para as estrelas. Uma canção para a noite. Um café para aquecer a vida aqui dentro, ouvir o silencio dentro de mim. 

O vento irá trazer notícias do que ficou, trará no cheiro a saudade, o incomodo de estar deslocado da minha natureza, mas também a calma na malícia de ser ele, vento. Ele traz a vida, por ora leva embora. Faz folhas caírem lá do alto das plantas, onde eu gostaria de subir, só para ver o mundo de cima, reacender a chama de criança que mora aqui dentro.

Eu vou! E não vai ter quem me impeça. 


Na ausência de um amor para eu chamar de meu, quero ir, e nada mais vai importar, algo ficou para trás porque não foi. Não era digno da viagem. Só levamos da vida aquilo que importa. Se eu parar, se a vida bater em alguma coisa, não foi porque eu me perdi, porque encontrei algo no meio do caminho, foi só porque eu cheguei.

Haverá festas, porque eu cheguei, as folhas caídas, já sem vida, farão valsa com o vento do fim da tarde. O coração, leve, vai poder tirar férias e a voz interior poderá então pôr para fora a melodia preparada durante toda uma vida. O canto de um coração calado, de uma vida mansa, da solidão mais compreendida, de uma calmaria após tempestades, um canto para as estrelas.
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18 de outubro de 2017


Dia 18

Estou indo, mas vou parar no meio do caminho.

Preciso do ar daqui, sentir o frio no rosto, amanha estarei ai perto, te quero no frio de um cobertor, no escuro de uma noite, no brilho de um dia de sábado. Fazer silencio num coração barulhento, não importa isso, agora nada mais importa, sobre o passado não há mais nada que possamos fazer.

Estou voltando, quando chegar, você saberá, sentirá meu sinal. escrevo para um alguém, que não existe, falo de um amor que se quer ousou acontecer, até o nada merece seu espaço na medida do universo.

Livre. Meu eu é inconstante, o escrever, confuso, o viver, sinuoso, sou torto porque sou obra do divino. Isso ousa acontecer porque sucede eu antes de mim mesmo.

Não esquecerei tenho total ciência de quem sou, de onde vim e para onde vou, a não ser nas vésperas dos meu sol. Antes das 14:50 do Dia 18. Quando retomo a mim e lembro exatamente de quem sou. Me faço novo, de novo, mudanças insuspeitas, que esvaziam até eu de mim.

Dia 18 a vida ganhou seu primeiro suspiro, ar, não veio ao mundo para ser pequena, não sobreviveu a tudo para ser fraca.Venceu, e quando menos perceber vencerá de novo. Chegará longe, porque é de verdade, cruzará mares. Brilha num dia de sol.


Esperando, conjugando o passado, vivendo o vazio. Fora de hora. Livre acima de tudo, dependente somente do coração que aqui bate. Sendo solidão nas noites de domingo. Colecionando mais passado a cada dia, gradativamente mais perto do desconhecido.

Se eu me perdi, desviei da minha rota, isso não tem problema algum, seria estranho se essa historia, se repetisse igual, do mesmo jeito, com as mesmas falas que um filme da sessão da tarde como todas as 14:50 do Dia 18.
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14 de outubro de 2017


Vazio

Não há sobre o que se escrever aqui, é vazio.

As vezes acordo sem saber se existo, se sinto, a vida só segue, segue porque não pode parar, a pouca sanidade impede que a vida pare seja onde for, porque se parar, pelo menor tempo que fosse, a vida não saberia mais seguir dali, os estragos seriam irreversíveis.


Mas o que é isso? Não se sabe, mas a vida segue? Segue. Normal, morna, seca, segue porque segue. Inerte. Daqui para lá e de lá pra cá. Como explicar o inexistente? O vago, o irrelevante. Não se aplica aqui. Do nada viemos e nada voltaremos a ser. O vazio ocupa um espaço imenso.

Sei onde estou, não há nada, além da vontade de sentir algo, ter algo a que se ater, um referência de humanidade, um aqui, um agora. Ser existencial não vai além disso. É tudo que temos. Não se luta contra algo que não existe. Algo que se sinta, seja a mais destruidora tristeza, me faz algo mais humano.


O branco e o vazio podem conter a vida, e nela estarem contidos. Podem resumi-la ou por ela serem resumidos. Não há nada que prove sua existência, além do fato de existir. Ele é porque é, e pronto. E é por necessidade de ser e ter. Cheio de nada. Desabitado por coisas humanas. É assim que é, vazio. O universo é um imenso vazio. Há universo em mim.

De tanto me gastar cheguei ao ponto de ser vazio de mim, oco, mas, nada me cabe, nada cabe em mim. Vago e branco. Inerte. Vão. E nem se sabe mais porque a vida segue, só que ela segue e pronto, ponto.  De tanto ser gasta, ficou carente de si, se desconhece, esqueceu para onde ia. Onde queria chegar. Faltam  palavras.


Perdido, me perdi pelo caminho. Me conjugo no indefinido, eu sou limite de mim mesmo. O vazio é tudo que tenho, algo que se grite, faz eco na minha existência. Fora de hora. Um hiato de si. Sem tempo. Eu sou vida que não sabe que é. Sigo sem destino certo. Sigo vazio.
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7 de outubro de 2017


Histórias sem nome

Muitos podem não acreditar nisso que eu vou contar, mas essa historia, tem a lua como testemunha, já outras, nem ouso relatar porque houverem dias que ela sumiu. 

Eu só fui, o limite nascia a cada pedalada, ia além de mim. Assisti a vida virar pó, nascer no asfalto. O mundo passou, me passei. Até o vento passou, eu senti e ouvi tudo. Vi às marcas que a chuva deixou, ela sumiu onde a vida deveria estar, até a vida passou nessa historia.


Quase cai, perdido na altura dos prédios, feito corrente solta em rua esburacada, na maioria das vezes consigo segurar tudo comigo. No comum do caminho, eu ainda descobria o irrelevante. Para subir precisei ser forte, já para descer me bastava ser leve, quem sabe conseguisse voar, mas estava descalço e preferia o calor do asfalto. 

Houve vezes que eu chorei e ninguém viu, só a lua. Ela sabe de tudo, sempre soube, mas está se distanciando. As lágrimas, o vento levou para ele. Pude gritar, cantar como se fosse a última canção, estava rápido e qualquer evidência, eu já nem estaria mais lá.


Vi a vida caída, esmagada pela pressa do homem, mas caiu porque já foi ela. Perdi a rota, o sinal, e me perdi, mas era bom procurar um destino, uma próxima rua parar entrar, no fim as contas eu sempre chegava, a tempo de ver tudo acabar e poder dar um último adeus ao sol, agradecer por tudo. 

Os prédios eram grandes, mas eu estava além. Gritei mais alto que o vento nos meus ouvidos, gritei só para mim, grito mudo. Atrás de mim, está eu, buscando me alcançar. Não faço ideia de quantos quilometro por hora estarei, quando me alcançar, mas estarei rápido.

É preciso movimento para manter o equilíbrio, caso contrario preciso de apoio, toco o chão, sinto minha natureza humana.


Não havia tempo para chegar, mas queria ir logo. Certo dia, tive medo, nos errados, era o ser mais poderoso do mundo. Em outras só estava atrasado mesmo, mas foi tudo verdade. Pergunte a lua quando ela voltar, ela viu. Posso até apostar se quiser, porque se a verdade for, e se verdade for, deixa ir, o que é verdade, não tem limites.
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2 de outubro de 2017


Setembro

Em setembro eu morria todo dia ao chegar em casa. Fui amor, mas também fui vazio, provei de tudo. Esse texto fica como lembrança, pois, amanhã já não serei mais eu.

Fui Alice nove vezes, a mesma que caiu num túnel temporal chamado setembro. O sol queimou a vida, o amor se calou e secou um ser que aqui vivia. Mistura a vida, sacode as coisas, quem sabe daqui para lá os tempos se salvem.


Você foi e voltou, eu fiquei aqui, esperando vivendo. Nesse mês as coisas parecem tomar um fim. Não gostaria de estar aqui, mas infelizmente, estou. Até o sol quis ir embora. As coisas perderam completo sentido.

Estou aqui, mas não ai, caindo. Vazio, por ora queimo em encontro ao denso do ar. Por ora durmo e quando acordo vivo o pesadelo acordado. É sujo, há cantos onde a luz não alcança, há coisas perdidas por aí, que esqueci de tê-las. A vida se escondeu onde a humanidade não a alcança, num lugar onde não pode ser tocada.


Faz silencio para não ser encontrada, quis sumir, mas ainda não teve vontade de voltar. Não sentiu pena de quem ficou. Abre a porta para o ar poder entrar. É primavera, as flores nascerão e depois serão tapete para um amor passar. Se cale para ouvir o silêncio da vida. Sobreviva a ele, resista. Deixa e faz a vida passar.

Setembro antecede nossa historia e nela houve de tudo. Atravessa o tempo, atravessa a mim. Esbarra no desconhecido, não causa dor. Em setembro o mundo veio a baixo, a vida provou da própria existência. A verdade foi invertida, e ela já me conheceu melhor. Histórias nasceram, outras ganham seus pontos finais, outras ainda a correr do destino. Nem se sabe o que foi.

O novo veio, carregado com o desconhecido. Domingo, um dia depois de eu ser setembro. Que se beba da vida, mas que também se saiba lidar com a desordem que ela fizer dentro de nós. Beber da vida causa caos. 


A vida esquentou, foi num eterno de lá para cá e daqui para lá. Venceu na própria destruição. Amarelo. Sem porquês que justificassem um hoje, sem saber como se chegou ate aqui, imperceptível. Desconhecido. Acabou com as chances, acabaram os dias, deu fim a mim. E finalmente, acabou setembro.
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1 de setembro de 2017


Incertezas

Que ninguém se engane, viver não é fácil. Se alguém te disse isso, sinto muito, essa pessoa mentiu.

Esperar a intervenção de seres superiores é angustiante. Ter a coragem de encarar quando, aquilo que nos perguntamos é respondido, é desesperador.  Ser incerto naquilo que quer. Ter certeza de coisas que faremos e daí criamos verdades. São pensamentos que podem causam confusão ao ser mais sano do mundo. O coração sabe lá o que sente. A vida nunca teve tanto sentido. Nunca estivemos tão felizes e nunca estivemos tão angustiados. Sentimos tudo, desde o melhor dos sentimentos até os mais destruidores, mas, no fim das contas não sentimos nada. 

A vida é cheia de incertezas, seja nas oportunidades, seja no amor. E vive a pregar peças. O tudo, nunca esteve tão perto, mas também nunca esteve tão longe. Verdades? O futuro é um mistério, por ser tão desconhecido. O que se faz hoje, muda de forma definitiva o amanhã. Ele é mutável. E por isso assusta os corajosos.

Há coisas na vida que escolhemos, outras que devemos apenas aceitar e não se questionar porquê. Existem prisões individuais que criamos e prisões coletivas. Se a flor dará frutos? Só o tempo dirá. Ele é resposta, remédio, como também pode virar uma doença.


Viver é estar aberto a riscos. Morrer sozinho, se machucar ou mesmo cometer erros. Mas, errar nada mais é que uma resposta de que você está tentando. Errou, e que bom que errou. Incerteza é a angústia vinda do amanhã, avesso da determinação. É o que não se consegue ver, medir, enxergar, desconhecido e por isso tanto assusta.

Azul ou verde? Não sei bem. O sol virá, temos fortes evidências. Passado. Como eu sei? Simplesmente sei, e sou convicto disso.

Que horas são? Não possuo confiança para dizer. Ser incerto, é estar apto aos riscos, é ter contrato com o improvável. Variável que se respira na rua, mas que não mata. Poluição. Confusão. Jogo de azar. Pois, na vida, só se tem uma certeza, meio ao infinito de possibilidades, essa, é a morte.
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26 de agosto de 2017


Carta do Mundo de Fora

Ei, sei que você está aí. E não posso te ajudar sem que você me ajude. 

Te conheci por historias contadas, ouvi seus gritos, silenciosos, no meio da noite, e te notei algumas vezes que esteve aqui perto. Descobri sua existência, e isso não é um erro, vim aqui para dar voz a liberdade, te mostrar um mundo que pode ser mais bonito e maior que tudo que você já viveu. Mas primeiramente, preciso que seja verdadeiro consigo mesmo.


Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

Eu sei que algo aí dentro pede por mais, e grita por algo. Fica claro no seu silencio. No fundo, de muito silencio, há algo a ser dito por uma mente que faz muito barulho. Você sabe mais que qualquer um, o que isso clama, sabe dar silencio a vozes interiores. Chega uma hora que de tanto guardar magoas, naufragamos em nos mesmos.

Não se esconda. Você pode ser mais forte que tudo. E sim há mais de você, em você, do que imagina, eu pude notar isso. O pouco de graça que existe aí, pode florescer e levar a primavera por aí, mundo afora, você só precisa acreditar. O inesperado guarda o belo da vida.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

A vida te levou aos poucos tudo que tinha de bom, e você nem viu. Se preocupou tanto com os outros que esqueceu de si mesmo, e acredite, você não peca por isso. Só mostra que renuncia de tudo para fazer bem aos que ama e aos que importam. Soube sorrir mesmo quando sangrava por dentro. Soube ser forte, mesmo quando teve todos os motivos para desabar sobre os próprios joelhos.

Você tem sonhos, vontades, desejos e isso é o que te faz belo. Descubra-se meio a isso que você criou, e quando encontrar segure com toda a força que puder. Isso aí é o melhor de você e pode te levar para longe de tudo isso que te impede. Aí existe algo que te fará tão intenso e tão imenso, que o mundo parecerá pequeno. Esse não pode ser seu fim. 

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.
Escolhemos a vida que levamos, você escolheu a sua, e isso te trouxe até aqui, hoje paga o preço por isso. Proclamamos fins às coisas que um dia tiveram começos, marcamos épocas de vidas alheias, escolhemos nossos sonhos, planejamos voos distantes e saltos rarefeitos na vida, tudo isso porque no primeiro respirar, fomos livres, e ainda somos.

Em cada um de nós, moram verdades que só nos conhecemos, fato que contamos, omitimos ou mentimos. Há realidades que calamos, algumas que damos vozes e outras tatuamos na pele. Verdades que deixam marcas porque pesam, e verdades que se vão, porque são leves e fogem pela boca. E que não deixam de ser nossas.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.
Somos donos da nossa liberdade, sempre fomos e por isso somos capazes. Na vida os que podem, são os que sabem e os que querem verdadeiramente. Você está aí, mas pode ir para onde quiser, ou ficar onde está, porque assim como damos forma à nossa armadura e força às nossas asas, sabemos exatamente como construir nossas próprias prisões.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.


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18 de agosto de 2017


Como nasce um texto?

Para começar, por ora eu também sofro da Síndrome do impostor, quando pensamos que não somos tão bons quanto falam e que tudo não passou de sorte. Nessas idas e vindas já me disseram que eu sou bom e que me perguntaram se penso em escrever um livro e afins, mas me vendo como escritor, eu ainda aprenderei (viver) muito até chegar lá. Muitos chegam a se perguntar, outros até não, como nasce tudo isso, de onde vem toda essa inspiração, criatividade, esse feeling todo com as palavras. Como nasce um texto.


Vocês devem ter notado, outros não, mas quando posto algum status no Facebook, pode esperar que tem algum texto falando algo parecido com o foi publicado. Bem, aquele status nada mais é do que um texto nascendo. A inspiração pode vim a qualquer hora em qualquer lugar, não tem hora, nem lugar, simplesmente vem e ali começa a germinar a coisa toda.

A exemplo, o texto Cicatrizes, onde eu falo da infância de um garoto (eu), que valeu a pena e que ele não tinha vergonha de mostrar suas marcas, porque elas eram o símbolo de que tudo tinha valido. A inspiração veio enquanto eu estendia roupa, simples assim. Já Permita-se nasceu enquanto esperava o ônibus na parada e uma nuvem passou, fazendo chover e enquanto todos se escondiam eu me deixava molhar, queria me permitir aquilo.


Outros textos são reações, respostas minhas a fatos acontecidos. Refúgios e outros muitos foram escritos enquanto eu passava por uma depressão, agravada por problemas do tipo vida adulta, faculdade, termino do ensino médio, sexualidade e afins. Nessa época escrevi bastante, inclusive um texto parecido com esse, mas de lado mais literal, muitos deles permanecem em rascunho desde o fim de 2014 até março de 2015, fazem parte de um projeto do antigo blog, o Caderno Amarelo. Um dos muitos projetos do novo blog, o ViVendo.

Muitas vezes o feeling do texto vem de um filme, uma simples frase que me faz pensar a coisa toda, eu simplesmente posso trabalhar um texto inteiro em cima dela. Pode ser uma música ou mesmo algo que alguém me falou que faz eco em mim e eu não sossego até escrever aquilo. Pode vim também trazido pelo vento na janela do ônibus, teve uma série de textos que fiz enquanto passeava pelas ruas dessa cidade.


Sou altamente sensível e perceptível a coisas que pessoas normais não notam (Lua em Peixes), logo a cada esquina nasce um texto novo, em certas épocas. Tem muito em rascunho no blog, o que eu chamo de deixar de molho, até que eu revise, coloque fotos e então publique o texto. Esse tempo é bem relativo. Hoje tem muita coisa em rascunho e mesmo postando toda semana eu crio mais que posto e tudo vai se acumulando.

Teve texto que saiu em horas, outros demoraram dias trabalhando todo dia nele. Victoria nasceu em poucos minutos, já O Mundo, que era um texto para ser de fim de ano, veio sair só em fevereiro. Aqueles textos mais informativos e aleatórios, são coisas que vejo por aí e acho que o pessoal (leitores) também gostariam de saber. Geralmente coisas novas, claro, novidades. Que eu vejo ao longo da rotina, com meu espírito de entender como tudo funciona, e de farejar tudo para por coisas novas aqui.


No mais a inspiração vem da vida, do viver, isso justifica os períodos entre ferias serem pouquíssimo produtivos, só escrevo o que vivo, se não vivo, não escrevo, a não ser que me sinta angustiado com isso e acabo fazendo texto sobre isso, Tempo nasceu de uma dessas. Já a criatividade piora quando se tem um amor incompreendido por metáfora, que acaba comparando a vida a um bung jump.
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13 de agosto de 2017


A breve história dos heróis


Heróis não nascem nas telas da TV, não são criados por computação gráfica ou muito menos se resumem a quadrinhos. Eles habitam esse mundo, estão aqui, entre nós. Nascem todo os dias, assim como eu, você, meu pai, sua tia e sua avó temos os nosso valentão de coração mole. Esses heróis não são os que salvam as cidades, matam monstros ou mesmo lutam contra vilões, mas se preciso for preciso ele dará a sua vida por você.


Ele te levava para cama quando você, sem querer, dormia no sofá. Te ensinou a apertar o parafuso para o lado certo. Aquele que te levava para sair de casa, nem que fosse só para conhecer as ruas e aprender a se virar no mundo lá fora. Que fazia de tudo para te deixar em casa, só para te ter por perto, ali sobre o amparo dele, sob seus cuidados, caso contrário ele enlouqueceria, se soubesse que você estava em apuros e que não podia ajudar.

Heróis umas horas, caçadores de presente em outras. A alegria era incomparável quando por telefone, sabíamos que nossos heróis tinham encontrado nosso presente por aí e estavam a caminho para traze-lo, óbvio eles não vinham voando, vinham de ônibus ou dirigindo seus carros, a final esses salvadores, por mais fantásticos que fossem, não sabem voar.

Como todo bom herói, eles não vivem para sempre. Sua missão básica: passar seus ensinamentos para manter o legado, e assim por diante, e primeiro, ser insubstituível. Heróis não morrem, viram uma lenda. Nós, aprendizes lembramos de seus ensinamentos e de suas batalhas épicas como ninguém. Para alguns seus heróis são conhecidos apenas por fotos, outros por borrões de lembranças da infância, outros só chegam a conhece-los por histórias contadas sobre eles.


Por mais que tenha sido pouco tempo, pouca convivência, pouco contato ou pouco aproveitado, lá, no fundo, sabemos que nossos heróis foram capazes de tudo só por nos. Só para ver um sorriso no nosso rosto, para não que não chorássemos, para que não sofrêssemos. Ainda que não digamos abertamente para todos em modo público no Facebook, que poste fotos no Instagram, só existimos por que eles estiveram um dia aqui e lá, no fundo, apesar de brigas, surras, conversas, chateações ou ausência somos gratos a eles, por tudo, porque foram, são e serão, nossos eternos heróis.

Obrigado Pai. 
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