8 de setembro de 2015


Pedido

O velocímetro marca 120 km/h, aos poucos tudo vai ficando pra trás. Pensamentos, saudades, pessoas e inclusive partes de mim. O carro é escuro, a paisagem também, o tempo frio faz com que muitos fechem as suas janelas na tentativa de manter-se aquecidos.  

Ao abrir a janela o vento frio caricia meu rosto, gosto disso, gosto daqui. Penso nas minhas atitudes, no quão vivendo eu estou, isso é ótimo, viver. Faço uma auto avaliação do ano. Os meses passando, as situações vividas, os desafios ultrapassados, os demônios vencidos e outras coisas mais do passado. Nossa! O tempo voou, e acho que só eu reparei nisso. Já é mês nove, no onze, mais um ano passa no meu contador. 19 anos e acho que já vivi mais coisas que muita gente por ai. Esse foi o ano, meus 18 anos.

Como é boa a minha vida, espero que continue assim. Não trocaria ela por a de ninguém, estou muito bem com ela. Não tenho arrependimento algum em ter nascido em uma família de classe media baixa, pelo contrario, agora sei o quanto isso fez bem para mim quanto a construção de ser humano. 


Entrei nessa viajem sem saber o que procurar, quando na verdade a única coisa que busco é a mim mesmo quando sei bem quem sou e para aonde pretendo ir. Conversando com meu amigo nesses dias, soube que algo tinha ficado na capital, saudades. Falei pra ele que precisava dessa viagem, me perder para então me descobrir, mais ainda. Falei pra ele.

Eis que em meio a tudo olho pra cima, e então me reparo com mais uma das belezas desse lugar, o céu estrelado. Uma imagem fantástica, impossível de ser vista na capital por conta das luzes da cidade. O mundo entra em um Offline e eu passo a admirar a paisagem sem em importar com o vento, a musica alta, o velocímetro.

De repente, perdido na luz dos astros, hipnotizado pela imagem vejo uma estrela cadente cruzar o céu. Logo por censo comum minha mão vai no bolso e faço um pedido. Uns pediriam saúde, dinheiro, alguém e outras coisas, eu só peço para ser feliz, mais ainda, pois estou vivo e sou imensamente feliz por isso.
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15 de julho de 2015


Refúgios

Fugir as vezes parece ser a única solução. Mas fugir para onde? Com quem? Como? Quando? Quem nunca chegou a ter a cabeça mais bagunçada que um guarda-roupa de um adolescente indeciso que não sabe o que vestir? "Calma, isso vai passar" pensamos para nos confortar. Nessas horas você se sente só, apesar de não estar, o mundo é preto e branco, frio, poucos te entendem. Você tem um milhão de coisas para dizer, tudo ali engasgado na sua garganta.

Psicólogo, tem que marcar. Mãe e pai podem até te entender mas não conseguem aconselha-lo da melhor forma.


Em tempos assim, nossa vida se resume a uma constante. Nunca muda. Nos tornamos mola, matéria, transparentes, somos a gravidade. Assim o mundo nos esmaga ou nos estica, nos sufoca até sugar o nosso mais misero sopro de vida. Ele nos testa até achar que desistimos de nos mesmos, e então nos larga a própria sorte sem saber que mesmos desistindo, ainda temos o "nos mesmos" para nos reerguermos e seguir fazendo a nossa história. Apesar de estarmos fora do nosso estado normal, deformados, voltamos à normalidade, a ser a mola como éramos antes.

A cama ou o chuveiro é nosso melhor refúgio, nossos amigos - sim sofro da solidão sem Deus, e peço que rezem por mim - confidentes, eles sabem pelo que passamos eles enxugam nossas lágrimas nos confortam nas horas difíceis. Não temos vergonha deles. Seja nosso pouco talento para a música, seja nossa pouca coordenação motora para a dança, nosso mais sujo segredo, nosso passado mais "esquecido", eles presenciam tudo e mais ainda, guardam segredo. Imagina se eles contam tudo que sabem! O mundo estaria perdido. Descobri confidências de travesseiro da Casa Branca ou mesmo o segredo de chuveiro de Marlim Monroe.

Não há motivo para segredos. Nos abrimos, contamos tudo, até o mais intimo, tudo isso sem se quer mencionar uma palavra. O que eles já não presenciaram e sabem?

Ainda depois de tudo, todo desabafo, todo agouro, toda dança sem noção, todo segredo e todas lágrimas, podemos abrir os olhos, como se nada estivesse acontecido ou mesmo descansar aliviados e esperar então o sol voltar, para voltarmos a ser molas, e seguir, como se só tivéssemos tropeçado no caminho.
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25 de abril de 2015


Cabe

As vezes me pego pensando o que me cabe. Ficar aqui e esperar ou ir embora e esquecer de mim e de tudo? Penso se o que me cabe, cabe em mim, se cabe somente e exclusivamente a mim. E se não couber em mim? Minha cabeça anda cheia de perguntas, maior parte delas sem respostas. A vida hoje vale a pena?

Precisando de algo maior. Alguém. Um sonho talvez. Ando pra lá e pra cá atrás de algo que me distraia, algo que me alegre, vivo em um mundo que só pertence a mim, só eu o habito. A vida do portão pra fora me assusta. A alegria me soa estranha hoje, ser alegre me faz me sentir outro, alguém que não sou eu, acho que é meu eu interior dizendo que eu não tenho o direito de estar feliz.

O contato com o mundo foi, aos poucos, cortado. Não há com quem conversar, um amigo que me visite, um convite inusitado, mesmo que inútil.  Preciso de ajuda, mas não sei como pedi-la, por ora minha cabeça grita "socorro! alguém aí pode me ajudar?" mas tenho receio de assustar a todos e acabar sendo assediado por muitos em todos lugares que eu vá, o que seria desastroso, já que, de certa forma, eu tô com um certo medo de gente.

Quero ir pra um lugar, longe, onde só haja um gramado, sol e vento. Pensar mais ainda na vida, relaxar, sentir a vida e por fim tentar me encontrar nesse caos mental que eu estou vivendo. Quero viajar por ai, sem rumo, sem dia ou hora pra voltar, quero viver, ver a vida por aí. Será que é pedir de mais?

Recentemente, cheguei a uma conclusão: Minha vida está uma merda.Viver tá insuportável, acho que isso justifica o fato de eu tanto dormir, quanto mais eu durmo, menos eu vivo, e isso é bom, pelo menos pra mim.

Se eu morresse hoje, morreria em paz, não seria problema, mas sim solução. Merda de vida. Vida de merda. Cômico pensar que alguns meses atrás eu vivia cada dia como se fosse o ultimo. Falei certo vivia, não vivo mais. Cansei de tudo, de todos, cansei de mim.
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25 de março de 2015


Inimigo

Paro de frente pro espelho, me observo e logo dou por conta. Todos temos um inimigo em comum consigo mesmos. O "eu". Não há coisa pior na vida. Ser seu pior inimigo, abrigar dentro de si o pior de tudo, o mais cruel de todos, seu maior rival. Dois de mim, cada um mostrando seu pior e seu melhor.  Brigam em uma luta silenciosa e totalmente espalhafatosa. Sem hora nem lugar marcado, só um limite, o meu corpo. A situação é na solidão, onde não há regras, não há espectadores, não há censura, não há nada, caso contrario já não seria solidão. Só.

Na briga oscilo entre a mais plena sanidade e a mais pura loucura. Sou um relógio, sou o pendulo. Inconstante. Aquele poema que diz que metade de mim é a outra aquilo, se encaixa perfeitamente aqui. Metade de mim é vida e a outra é morte. Enquanto me dou esperanças, para me manter vivo, meu rival me priva dela, com um tapa na cara e diz "Acorda! Essa não é sua vida, caia na real" nessa hora ele vence.
 

Quem é o mais forte? Eu ou meu contrário? Não sei, mas certas vezes sou fraco a tal ponto de ganhar o mundo, sem rumo, ferido das lutas passadas. Uso trapos porem estou vestido na melhor forma possível e na maior das descrições, fugindo do meu oponente, ele, eu, que vai, na menor brecha me pegar e vai me devorar aos poucos, de dentro pra fora. Até chegar ao ponto onde eu não existo mais, meu corpo.

Falam-me que devo enfrentar meu adversário, fazer dele meu aliado para enfrentar o mundo. Ele é o pior de mim, o eu mais frio, olhá-lo seria uma sentença de morte, ficar cara a cara com ele seria cometer suicídio. Quem sabe isso justifique o medo por espelhos, o medo de mim, do meu reflexo.


Muitos me tem como um referencial, dizem que sou inteligente, sonhador, sou o guerreiro, sou forte apesar de louco. Minha loucura se atesta na minha fraqueza. Minha força é como uma cortina de teatro, a qualquer momento pode se abrir revelando o eu que luta consigo mesmo. O eu destruído, fraco, ferido, um eu morto. Sem mascaras, muito menos cortinas.

Disse à alguém recentemente seria impossível me ferir mais, estava errado. Já cheguei no meu limite, não há mais nada que possa ser ferido. Contudo eu ainda posso me machucar. Meu pior inimigo sou eu.


Não posso fugir, não posso o calar, não posso o matar, mas posso o enfrentar e pedir aos seres de luz que nessa hora ele tenha sanidade suficiente, e não me mate. Eu espero flores. Lágrimas rios salgados, a final como pode você perder uma batalha para si mesmo? Tem que ser fraco, e eu o sou. Fraco. Burro. Sou medo e desespero. Sou a mais pura loucura.

De onde tirarei forças pra continuar a lutar? Não sei! A final o que eu sei? Quem sabe, se render seja a única saída, e eu me rendo. Me rendo ao meu inimigo. Me rendo a mim.

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19 de março de 2015


O silêncio

Talvez esse texto saísse melhor, se minha cachorra parasse de fazer ruídos, com a sua mais pura inocência de cachorro.
Quem nunca ouviu o silêncio? O silêncio sufoca, quando temos um monte de coisas engasgadas na garganta, ou alivia quando você para de ouvir reclamações ou lamurias, "ai" dos psicólogos. Ele pode matar, ou pode criar vida. Imagina se Maria se calasse diante do anjo Gabriel, ou mesmo se um chefe de estado diante de casos de corrupção no seu mandato. Certas vezes o silêncio é a única e melhor resposta pra tudo, a vida perderia a graça se cada vez que questionássemos os seres de luz obtivéssemos respostas. A ciência seria muda. O silêncio não diz nada, mas também diz tudo.

O silêncio é uma arte, arte que eu avario ao digitar esse texto. Ele pode causar danos, imagine calar uma sirene quando uma Rosa de Hiroshima está prestes a desabrochar, estando somente para acabar com a vida.


O mundo explode numa guerra mundial, daí vem o silencio e avisa que a paz chegou. O mundo chora em uma tempestade, o céu se quebra em mil pedaços e desaba em forma de raios escandalosos no chão, eis que vem o silêncio trazendo o sol, um arco-íris e o azul do céu. Uma banda de rock estoura tímpanos em um teatro eis então que faz-se silencio e então cria-se arte. Aleatória arte. O silêncio é mistério, e nessas horas ele é puro segredo.

O silêncio omite, deixa de falar, esconde, constrói segredos.

Créditos: Pixabay

O silêncio vai além do Volume 0, da ausência de som. Ele é infinito. Divino. O silêncio é frágil. O silêncio é a essência de tudo. Solidão. Abandono. Desespero. Calmaria. Ele é contrario, resposta - duvida.

Créditos: Pixabay


Pra quem vive entre gritos, sons e ruídos o silêncio pode ser sinal de anormalidade. O silêncio de alguém pode causar ou mesmo representar um desespero sem precedentes.

Belo, humilde, secreto, tudo, nada, divino e infinito. Ele se define, mesmo que incompletamente, ele se explica. Ele é ele. Ele é Silêncio. E isso me cala.
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13 de fevereiro de 2015


O mundo

E em menos de um segundo, o mundo explodiu, se fez em 365 pedaços, peças. 365 mistérios. Já não somos mais os mesmos,  a explosão apagou um passado, registros, e virou a página do livro da vida, para que possamos escrever uma historia diferente, melhor, nos foi dada uma nova chance. A explosão separou pessoas, e uniu outras. O mundo explodiu e temos o dever de reconstruí-lo, mas ai entra o mistério, não sabemos onde cada pedaço estava antes, mas quanto a isso não devemos nos preocupar cada fragmento se encaixa a outro de uma forma inexplicável.

Uma peça a cada amanhecer é foi, e sempre será, a regra do mundo. Uma vez colocada no lugar, não tem mais volta, não pode ser trocada, retirada de seu lugar e isso deve ser aceito por nós. Um presente, presente.


O mundo é um quebra-cabeça e sua montagem é uma arte, uma dança, um circulo, pra lá de vicioso. E sempre queremos bis, rever a obra, refazer a dança, reviver o ciclo, mas nunca a obra é vista como pela primeira vez ela mudou, é outra, virou obra aleatória, nunca a dança é feita como na primeira vez, dança sem noção e nunca o ciclo é repetido como antes a final já conhecemos os perigos, cada fase e cada estágio.

É permitido planejar a montagem, mas não é garantido o êxito de planejamento, de sete em sete peças, trinta em trinta como quiser. É permitido juntar peças com outras pessoas, unir peças em um só quebra cabeça.

Por hora, montar a coisa toda não faz nenhum sentido, não tem um propósito, muitos desistem, outros montam na eterna inércia, sem saber que fim terá, que aspecto possuirá a obra. As vezes algumas peças parecerão desagradáveis de serem alocadas em seus lugares. Outra característica do cabeça, a inconstância. Cada pedaço traz consigo um mistério que a ciência até hoje não conseguiu explicar. Um dia incrível ou mesmo o inicio de um teste da vida sem um objetivo concreto. 

Mas acima de tudo, quando o mundo explode, o contador zera, uma nova chance nos é dada. Não para fazer tudo igual como antes, mas sim pra fazer diferente, melhor. Reinventar-se. Daí o mistério, daí o desconhecimento dos encaixes. O mundo - e a vida - é uma caixinha de surpresa. 


Onde eu li isso? Talvez a experiência de 18 quebra-cabeças montados, não sei. Mas esse quebra cabeça acompanha o manual,  o que ele diz? Somente:


Para montar basta viver...


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