25 de março de 2015


Inimigo

Paro de frente pro espelho, me observo e logo dou por conta. Todos temos um inimigo em comum consigo mesmos. O "eu". Não há coisa pior na vida. Ser seu pior inimigo, abrigar dentro de si o pior de tudo, o mais cruel de todos, seu maior rival. Dois de mim, cada um mostrando seu pior e seu melhor.  Brigam em uma luta silenciosa e totalmente espalhafatosa. Sem hora nem lugar marcado, só um limite, o meu corpo. A situação é na solidão, onde não há regras, não há espectadores, não há censura, não há nada, caso contrario já não seria solidão. Só.

Na briga oscilo entre a mais plena sanidade e a mais pura loucura. Sou um relógio, sou o pendulo. Inconstante. Aquele poema que diz que metade de mim é a outra aquilo, se encaixa perfeitamente aqui. Metade de mim é vida e a outra é morte. Enquanto me dou esperanças, para me manter vivo, meu rival me priva dela, com um tapa na cara e diz "Acorda! Essa não é sua vida, caia na real" nessa hora ele vence.
 

Quem é o mais forte? Eu ou meu contrário? Não sei, mas certas vezes sou fraco a tal ponto de ganhar o mundo, sem rumo, ferido das lutas passadas. Uso trapos porem estou vestido na melhor forma possível e na maior das descrições, fugindo do meu oponente, ele, eu, que vai, na menor brecha me pegar e vai me devorar aos poucos, de dentro pra fora. Até chegar ao ponto onde eu não existo mais, meu corpo.

Falam-me que devo enfrentar meu adversário, fazer dele meu aliado para enfrentar o mundo. Ele é o pior de mim, o eu mais frio, olhá-lo seria uma sentença de morte, ficar cara a cara com ele seria cometer suicídio. Quem sabe isso justifique o medo por espelhos, o medo de mim, do meu reflexo.


Muitos me tem como um referencial, dizem que sou inteligente, sonhador, sou o guerreiro, sou forte apesar de louco. Minha loucura se atesta na minha fraqueza. Minha força é como uma cortina de teatro, a qualquer momento pode se abrir revelando o eu que luta consigo mesmo. O eu destruído, fraco, ferido, um eu morto. Sem mascaras, muito menos cortinas.

Disse à alguém recentemente seria impossível me ferir mais, estava errado. Já cheguei no meu limite, não há mais nada que possa ser ferido. Contudo eu ainda posso me machucar. Meu pior inimigo sou eu.


Não posso fugir, não posso o calar, não posso o matar, mas posso o enfrentar e pedir aos seres de luz que nessa hora ele tenha sanidade suficiente, e não me mate. Eu espero flores. Lágrimas rios salgados, a final como pode você perder uma batalha para si mesmo? Tem que ser fraco, e eu o sou. Fraco. Burro. Sou medo e desespero. Sou a mais pura loucura.

De onde tirarei forças pra continuar a lutar? Não sei! A final o que eu sei? Quem sabe, se render seja a única saída, e eu me rendo. Me rendo ao meu inimigo. Me rendo a mim.

CONTINUE LENDO ››

19 de março de 2015


O silêncio

Talvez esse texto saísse melhor, se minha cachorra parasse de fazer ruídos, com a sua mais pura inocência de cachorro.
Quem nunca ouviu o silêncio? O silêncio sufoca, quando temos um monte de coisas engasgadas na garganta, ou alivia quando você para de ouvir reclamações ou lamurias, "ai" dos psicólogos. Ele pode matar, ou pode criar vida. Imagina se Maria se calasse diante do anjo Gabriel, ou mesmo se um chefe de estado diante de casos de corrupção no seu mandato. Certas vezes o silêncio é a única e melhor resposta pra tudo, a vida perderia a graça se cada vez que questionássemos os seres de luz obtivéssemos respostas. A ciência seria muda. O silêncio não diz nada, mas também diz tudo.

O silêncio é uma arte, arte que eu avario ao digitar esse texto. Ele pode causar danos, imagine calar uma sirene quando uma Rosa de Hiroshima está prestes a desabrochar, estando somente para acabar com a vida.


O mundo explode numa guerra mundial, daí vem o silencio e avisa que a paz chegou. O mundo chora em uma tempestade, o céu se quebra em mil pedaços e desaba em forma de raios escandalosos no chão, eis que vem o silêncio trazendo o sol, um arco-íris e o azul do céu. Uma banda de rock estoura tímpanos em um teatro eis então que faz-se silencio e então cria-se arte. Aleatória arte. O silêncio é mistério, e nessas horas ele é puro segredo.

O silêncio omite, deixa de falar, esconde, constrói segredos.

Créditos: Pixabay

O silêncio vai além do Volume 0, da ausência de som. Ele é infinito. Divino. O silêncio é frágil. O silêncio é a essência de tudo. Solidão. Abandono. Desespero. Calmaria. Ele é contrario, resposta - duvida.

Créditos: Pixabay


Pra quem vive entre gritos, sons e ruídos o silêncio pode ser sinal de anormalidade. O silêncio de alguém pode causar ou mesmo representar um desespero sem precedentes.

Belo, humilde, secreto, tudo, nada, divino e infinito. Ele se define, mesmo que incompletamente, ele se explica. Ele é ele. Ele é Silêncio. E isso me cala.
CONTINUE LENDO ››

POSTS SUGERIDOS