17 de fevereiro de 2018


Ir

A vida pode ser curta, sei disso, o tempo me provou isso. Obrigado tempo.

O céu azul traz a paz que falta nos dias difíceis, há paz. Há mar. A permissão é dada para o vento entrar no continente e ele vem, toca meu rosto,  me fala que seja o que eu estiver passando é passageiro. Mas a vida pode ser curta sim, e nos não devemos nos importar quanto a isso. Nossos monstros crescem a medida que os alimentamos.


A vida só ela é suficiente? Só o viver vale a pena? Há tudo por aqui, mas ainda sim parece faltar algo, falta o movimento. A vida parou na beira do mar. O cheiro faz pensar como seria do outro lado. O verão esta chegando, o vento vem trazendo suas cores. O calor. Vem vida, leve, tonta de si.

Apesar do show eu preciso ir, não tenho motivos para ficar, e um aviso. Sou livre acima de tudo e as correntes que me prendiam aqui já não conseguem, mas ser mais fortes que a correnteza do mar do destino. Haverá movimento, solidão e tempestades. Há mar. 

Chegou a hora, esse é o momento certo, estou pronto parar ir. Deixar tudo de mim para trás, ate mesmo a mim. Deixar sentir a dor da partida, o pranto por morrer e magicamente nascer em algum lugar de novo. Serei eu verdadeiramente. Preciso deixar a coragem tomar meu corpo. Sentir cada músculo vibrar ao toque das doses letais do sentimento. O coração pular no peito, fazer uma festa aqui dentro.


Os pássaros vão e voltam, mas é coisa de estação e podem esperar olhando para o céu que e um dia, eles voltam trazendo o verão. É verão, e as mesmas cores que me fizeram ir, talvez me façam voltar. Enquanto estiver, olhando para o céu esperando me ver chegar prometa uma coisa a si, que ira me esperar vivendo, e não esperando.

Arruma a casa que vou voltar, venho trazendo a saudade, flores em mim, historias de solidão para contar, um ser evoluindo, um brilho especial no olho e acima de tudo um coração louco para dançar, ao som da vida, por que só ela, vida em si, não me basta.

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10 de fevereiro de 2018


Mistério

Ei, por que você está me olhando?

Sem julgamentos, apenas amor e sobrevivência. Dois mistérios que nunca se decifraram, não consegui entender suas cores, seus humores. E numa dessas caminhadas a noite eu invadi teu mundo, atemporal, de temperamento esquisito, de noites que atravessam horas e horas e de cheiros quase que tóxico. Deu sobrevivência a raça.


Se me perguntarem que cheiro tem essa história, tem cheiro de grama, tem gosto de veneno. Foi na dose certa, não morri, somos fortes na queda, já nos engasgamos de nós mesmos, inúmeras vezes. Foi barulhento, forte, abriu, verteu. A lua viu tudo.

Teu silêncio foi mistério, teu pulsar era indecifrável, tua vontade, desconhecida. Vou voltar lá e resgatar tudo, entender o que não ficou claro, ir fundo na tua existência, provar do mais perigoso veneno teu, ouvir tua mais secreta verdade e ter teu mais guardado segredo.

Tu calaste meu interior, fez eco no vazio que ainda existe aqui. Cansou minha vontade de te querer. A menos que me deixe, estarei aí, te decifrando. Brincou com meu juízo, me levou a declínio sem ao menos se importar. Fez de mim seu boneco, ventríloquo da vida real.



Um amante sem vontade, sem escolha, sem uma alma. Ou será que há algo aí. Não entendo o que vê quando olha para mim, mas acredito que não é o que vejo quando olho para ti. Brinquedo maldito, usado é descartado, carne ou plástico tanto faz, seus últimos segundos de recreio em minha vida, ficaram para trás.

Me julgaste antes de conhecer-me. Quis ir, e nessa ciranda desvairada da gente, descobri que há coisas na vida que merecem ficar, e valem nosso sangue, já outras, precisam ser deixadas ir. Não foi porque não lutei, que não quis ser teu brinquedo, nos teus braços ao cair da noite, cansados.



E deixá-las ir não quer dizer que um pedaço delas não ficará, como se a gravidade prendesse um pedaço de ti a mim. Fragmentos de memórias, de momentos felizes, uma felicidade passageira, momentânea, talvez até insatisfatória, mas para os olhos de um amante, um assassinato se torna loucura de amor.

Não se controla a sei mesmo, se seduz pela paixão, pela adrenalina que pulsa em suas veias, o perigo nunca foi tão amargo é delicioso. E no momento meus olhos escorrem fel.
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3 de fevereiro de 2018


Coração de Plástico

Aviso, troquei de coração, é temporário.

Troquei. Sim, o velho coração de carne por um coração de plástico, nada de pedra, gelo, é antiquado, a idade da pedra, já foi. Coração só bate, porque quem está morta é Inês, eu vivo e preciso suportar tudo. Posso ser seu, se quiser, mas não pense que por isso, serei seu brinquedo.


Não pense que escolhi tê-lo, a situação exigiu. Até que é bom, está inerte, não perceber coisas, momentos e pessoas. Balança o coração, que ele nem faz barulho, é novo, não tem nada solto. Você pode até não suportar os impactos da vida, mas ele vai estar ali, inteiro, no máximo arranhado, é para isso que ele foi feito.

Com esse pode tudo, ele aguenta, desde a mais sinistra felicidade até o ódio mais devastador. Não espere muito, o velho se foi, pois quis muito o que não podiam dar a ele. Quanto ao amor, ele pode te dar, mas não se apaixone, na via dos erros esse é o mais grave que você poderá cometer. Nem ele é certo, vive de erros.

Erra porque vive de loucura, não há sanidade alguma que o impeça, impulsivo, faz o que faz porque é forte, e não pense que é inabalável, pois, assim como brinquedos, ele leva marca das quedas e do mal uso. E há quem use e abuse, se lambuze.

Brinquedos bonitos, são causa de brigas de quem com eles brinca ou de lágrimas de quem não leva. Se você não sabe brincar, sugiro que não se aproxime, nem se anime, muito menos se apaixone. Você. Observe e faça melhor, caso contrário será sempre o mesmo, fazendo as mesmas coisas. O truque pode ser velho, o que o torna novo é quem assiste.


Feito de carne, por ora rejeito o que carrego, é estranho, não encaixa, é como colchão novo, com o tempo a gente se acostuma. Temporário, aproveitarei enquanto puder, a final, coração de plástico, não se apaixona, muito menos morre por amor, e isso é muito bom.


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27 de janeiro de 2018


Talvez


Talvez isso me ajude, talvez não. Talvez alguém leia isso, talvez não passe de mais um texto em meio a milhões. Talvez um texto seja pouco, talvez mais que o suficiente.

Um talvez, e a vida perde o sentido. E daí surjam dois rios de lágrimas. Não somos mais quem éramos antes. Talvez eu entenda o porquê, talvez não. Talvez um dia a dor pare, ou dure uma vida toda. Quem sabe ela me ensine, ou eu viva eterno suplício. Talvez eu mereça isso, ou será que não?!

Se não tivesse me atirado tanto, eu teria feito o certo. Devesse ter ido mais devagar, talvez eu tenha ido rápido de mais. Talvez eu nem devia ter entrado nessa, talvez foi a coisa certa a se fazer.


Talvez fique ou então vá. Talvez. Talvez eu mereça ser só, talvez não. Talvez Deus me ampare, talvez não. Talvez fiquemos junto, talvez a distancia se revele. Talvez eu supere, talvez não. Talvez "nós", talvez eu. Talvez amor, talvez dor. Talvez perto, talvez longe. Talvez

Talvez eu esteja fazendo certo em alimentar a esperança, ou assim machuque a ferida da dor. Talvez eu esteja certo em imaginar o futuro, sem importar-se com o presente, sem viver o hoje, ou de tanto imaginar, ele chegue e eu acorde sabendo que só imaginei e nada vivi. Talvez eu odeie. Talvez um All Star azul continue como meu preferido, talvez continue dentre as coisas que mais odeio.

Talvez siga vivendo, talvez morra. Talvez pense duas vezes, talvez seja um veredito, uma sentença. Talvez o desconhecimento seria o mais sábio, talvez devesse saber. Talvez depois da tempestade venha o arco-íris, talvez a tempestade não tenha fim. Talvez o sol brilhe, ou as nuvens os escondam. Talvez eu não fique só, talvez eu apodreça na solidão. 

Talvez eu lide com o "adeus", ou nunca consiga tal façanha. Talvez.

Talvez seja fácil, talvez eu jamais supere. Talvez a primavera seja eterna, talvez as flores sequem. Talvez. Talvez o filme dos momentos acabe, talvez ele se passe em cada sensação sentida. Talvez fique fraco, talvez "stay strong". Talvez me alimente da dor, talvez ela me consuma até o ultimo vão átomo.

Farei questão de te lembrar. Farei questão de desvendar o futuro. Irei de cara para o desconhecido. Tentarei não ser só nesse mundão, não acabarei na solidão. Cauteloso nos riscos, não me arriscarei à toa, ou talvez eu faça exatamente aquilo tudo que você não faria.

Talvez.

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20 de janeiro de 2018


Verdade

Hoje acordei querendo falar sobre a verdade. Falar de verdade. Coisa que não precisa, ela é tão ela, que fala por si, não requer explicares ou justificativas. É ela e pronto, independente, exata, dura e fria como um diagnóstico. 

É quase que um poder, um ser de verdade tem autoridade e força de um daqueles super-heróis de filme, que aparece quando precisamos. Foi verdade, foi tudo verdade, assim como esta sendo, a vida é muito pequena para se esconder ou mascarar fatos.


Cada palavra dita, cada toque, cada confissão foi tudo verdade, aconteceu, não precisa de provas, não ficou duvida por aqui, era e pronto. Negamos, mas a verdade precisa ser aceita. Ela mora aqui, em cada história contada, cada descoberta feita. Existo, pois, sou feito de verdade, a mesma que me fez. Vive nas coisas sem razão, naquelas que fazemos sem motivos ou explicações.  O passado é uma verdade.

Agir com sinceridade, ser quem você é, não esconder ou mesmo omitir faz de ti verdade. Nessa hora te chamam de trouxa. Quem vive por inteiro, aproveita cada dia como se fosse o último, vive. Existem pessoas que vivem e pessoas que são só volume. A ciência existe para explicar a verdade por trás do desconhecido. Existem mentiras que contamos a nos mesmos. A pior e mais corrosiva de todas, fazem parte de um mundo que não acontece, onde não existimos. Não se vive de mentira.

Foi verdade a dor que senti, quando disse que te amava, e que era a única pessoa que me importava. Foi real quando disse que fiz coisas só fiz porque queria faze-las ainda que ninguém acreditasse. O maior calmante de todos é a consciência limpa, de saber onde a verdade habita, mesmo quando tudo mostra o contrário.

Fui eu mesmo, e não peso minha consciência por isso, pelo contrário, estou na mais pura paz aqui, por ter feito tudo assim e não precisar pedir desculpas pelo que não aconteceu, ter criado verdades que não aconteceram. Por ser sincero, verdadeiro e fazer cada coisa da forma que eu achava mais coerente.


Eu fiz, e sei que fiz, foi verdade, posso dormir tranquilo, mesmo que todos digam e acreditem o contrário, a verdade é ela e não precisa de explicação. Sempre carreguei duas versões dos fatos comigo, boas e ruins. Há horas que é melhor bancar o maldito, que o simpático e paciente com todos. Já assumi versões de histórias que não fiz, já tive como verdades mentiras que contei só pelo simples fato de precisar agradar, o ego insatisfeito de alguém ou mesmo por fim a discussões exaustivas. Acredite, toda história tem duas versões, e então:

Qual versão da história você escolhe?
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13 de janeiro de 2018


Deixar

Ultimamente tenho travado uma busca silenciosa para entender como a coisa toda chegou ate aqui,  cientista buscando explicações para tudo. Ainda aceitando, busco entender tudo isso, aquela teimosia. A mesma teimosia que começou tudo agora se faz presente no fim, como quem quer me dizer "tá vendo eu disse pra não ir"

Eu precisava de mil motivos para ir, mas eu tinha um único específico para ficar. A conexão estabelecida aos poucos nas curtas trocas de olhares, foi deixando aquela incerteza mais certa. Só que hoje mais certo é que não possuo um único motivo específico para ficar, mas sim vários motivos para ir, pois, antes de tudo, sou livre.


A liberdade tem seu preço, escolher o não, é renunciar o sim. Os rascunhos deixam claro a preocupação com todos ao quais sou ligado, família, amigo ou um amor.  A vida ora pode ser maravilhosa, ora pode te tornar um louco que sai pelas ruas em busca de algo, que nem consegue descobrir o que é, mas que falta algo e o que temos não é suficiente.

Não existe zona de conforto. Existem limites, marcas, apagadas pela inconstância da vida, o ir e vir de cada dia. Aventuras, cicatrizes, florestas ou mesmo lapsos de liberdade. Quando? A data da alforria está circulada no calendário com um pincel preto. Aí já não haverá âncoras. O leão estará livre.

Dor. Essa é  como eu pago pela liberdade. Parcelas de sentimento que aumentam em progressão geométrica, me fazem refletir todos os dias sobre a importância das pessoas na nossa vida. Do quão valioso são os momentos com elas.

Silencio, é essencial. Saber a hora certa de contar será um desafio. O sofrimento será evidente. O garoto corajoso, forte e louco, então se mostrará com medo dos desafios, fraco por estar livre nesse mundo que acredita que o pertence, e que pensou muito e sabiamente em desvendá-lo

Recomeçar do zero uma vida nova. Parece um desafio. Uma cidade inteira para desbravar, pessoas para descobrir e que podem dar vida a inúmeras possibilidades. Chega a dar medo, mas faz também os olhos brilharem  frente ao desafio. O que é preciso para se fazer novo? Preciso descobrir o que deixar.


Deixar o cabelo crescer, cada coisa no seu lugar, ele ir, a vida levar. A inércia faz isso, te leva ou te deixa. Sentir saudades, deixar pessoas, coisas para trás. Te carrego comigo na mão direita, de mim, deixo pedaços por aí, resta a ti, descobrir por onde eu fiquei. Carrego os momentos que nunca foram registrados, os céus estrelados, cada por do sol assistido, cada aventura que levei solitário pelas ruas da cidade, as pessoas conhecidas, as flores de primaveras, balas de uma coragem, penas amarelas.

Deixa o sol se por para então a lua cheia brilhar. Permita que a dor seja sentida  Leve um pouco de tudo que foi bom, se algo de contrário for de intruso, que seja para dar força quando as coisas desandarem.. O que pesar, abandone, tudo que incomodar, esqueça, deixe. 
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