18 de outubro de 2017


Dia 18

Estou indo, mas vou parar no meio do caminho.

Preciso do ar daqui, sentir o frio no rosto, amanha estarei ai perto, te quero no frio de um cobertor, no escuro de uma noite, no brilho de um dia de sábado. Fazer silencio num coração barulhento, não importa isso, agora nada mais importa, sobre o passado não há mais nada que possamos fazer.

Estou voltando, quando chegar, você saberá, sentirá meu sinal. escrevo para um alguém, que não existe, falo de um amor que se quer ousou acontecer, até o nada merece seu espaço na medida do universo.

Livre. Meu eu é inconstante, o escrever, confuso, o viver, sinuoso, sou torto porque sou obra do divino. Isso ousa acontecer porque sucede eu antes de mim mesmo.

Não esquecerei tenho total ciência de quem sou, de onde vim e para onde vou, a não ser nas vésperas dos meu sol. Antes das 14:50 do Dia 18. Quando retomo a mim e lembro exatamente de quem sou. Me faço novo, de novo, mudanças insuspeitas, que esvaziam até eu de mim.

Dia 18 a vida ganhou seu primeiro suspiro, ar, não veio ao mundo para ser pequena, não sobreviveu a tudo para ser fraca.Venceu, e quando menos perceber vencerá de novo. Chegará longe, porque é de verdade, cruzará mares. Brilha num dia de sol.


Esperando, conjugando o passado, vivendo o vazio. Fora de hora. Livre acima de tudo, dependente somente do coração que aqui bate. Sendo solidão nas noites de domingo. Colecionando mais passado a cada dia, gradativamente mais perto do desconhecido.

Se eu me perdi, desviei da minha rota, isso não tem problema algum, seria estranho se essa historia, se repetisse igual, do mesmo jeito, com as mesmas falas que um filme da sessão da tarde como todas as 14:50 do Dia 18.
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14 de outubro de 2017


Vazio

Não há sobre o que se escrever aqui, é vazio.

As vezes acordo sem saber se existo, se sinto, a vida só segue, segue porque não pode parar, a pouca sanidade impede que a vida pare seja onde for, porque se parar, pelo menor tempo que fosse, a vida não saberia mais seguir dali, os estragos seriam irreversíveis.


Mas o que é isso? Não se sabe, mas a vida segue? Segue. Normal, morna, seca, segue porque segue. Inerte. Daqui para lá e de lá pra cá. Como explicar o inexistente? O vago, o irrelevante. Não se aplica aqui. Do nada viemos e nada voltaremos a ser. O vazio ocupa um espaço imenso.

Sei onde estou, não há nada, além da vontade de sentir algo, ter algo a que se ater, um referência de humanidade, um aqui, um agora. Ser existencial não vai além disso. É tudo que temos. Não se luta contra algo que não existe. Algo que se sinta, seja a mais destruidora tristeza, me faz algo mais humano.


O branco e o vazio podem conter a vida, e nela estarem contidos. Podem resumi-la ou por ela serem resumidos. Não há nada que prove sua existência, além do fato de existir. Ele é porque é, e pronto. E é por necessidade de ser e ter. Cheio de nada. Desabitado por coisas humanas. É assim que é, vazio. O universo é um imenso vazio. Há universo em mim.

De tanto me gastar cheguei ao ponto de ser vazio de mim, oco, mas, nada me cabe, nada cabe em mim. Vago e branco. Inerte. Vão. E nem se sabe mais porque a vida segue, só que ela segue e pronto, ponto.  De tanto ser gasta, ficou carente de si, se desconhece, esqueceu para onde ia. Onde queria chegar. Faltam  palavras.


Perdido, me perdi pelo caminho. Me conjugo no indefinido, eu sou limite de mim mesmo. O vazio é tudo que tenho, algo que se grite, faz eco na minha existência. Fora de hora. Um hiato de si. Sem tempo. Eu sou vida que não sabe que é. Sigo sem destino certo. Sigo vazio.
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7 de outubro de 2017


Histórias sem nome

Muitos podem não acreditar nisso que eu vou contar, mas essa historia, tem a lua como testemunha, já outras, nem ouso relatar porque houverem dias que ela sumiu. 

Eu só fui, o limite nascia a cada pedalada, ia além de mim. Assisti a vida virar pó, nascer no asfalto. O mundo passou, me passei. Até o vento passou, eu senti e ouvi tudo. Vi às marcas que a chuva deixou, ela sumiu onde a vida deveria estar, até a vida passou nessa historia.


Quase cai, perdido na altura dos prédios, feito corrente solta em rua esburacada, na maioria das vezes consigo segurar tudo comigo. No comum do caminho, eu ainda descobria o irrelevante. Para subir precisei ser forte, já para descer me bastava ser leve, quem sabe conseguisse voar, mas estava descalço e preferia o calor do asfalto. 

Houve vezes que eu chorei e ninguém viu, só a lua. Ela sabe de tudo, sempre soube, mas está se distanciando. As lágrimas, o vento levou para ele. Pude gritar, cantar como se fosse a última canção, estava rápido e qualquer evidência, eu já nem estaria mais lá.


Vi a vida caída, esmagada pela pressa do homem, mas caiu porque já foi ela. Perdi a rota, o sinal, e me perdi, mas era bom procurar um destino, uma próxima rua parar entrar, no fim as contas eu sempre chegava, a tempo de ver tudo acabar e poder dar um último adeus ao sol, agradecer por tudo. 

Os prédios eram grandes, mas eu estava além. Gritei mais alto que o vento nos meus ouvidos, gritei só para mim, grito mudo. Atrás de mim, está eu, buscando me alcançar. Não faço ideia de quantos quilometro por hora estarei, quando me alcançar, mas estarei rápido.

É preciso movimento para manter o equilíbrio, caso contrario preciso de apoio, toco o chão, sinto minha natureza humana.


Não havia tempo para chegar, mas queria ir logo. Certo dia, tive medo, nos errados, era o ser mais poderoso do mundo. Em outras só estava atrasado mesmo, mas foi tudo verdade. Pergunte a lua quando ela voltar, ela viu. Posso até apostar se quiser, porque se a verdade for, e se verdade for, deixa ir, o que é verdade, não tem limites.
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2 de outubro de 2017


Setembro

Em setembro eu morria todo dia ao chegar em casa. Fui amor, mas também fui vazio, provei de tudo. Esse texto fica como lembrança, pois, amanhã já não serei mais eu.

Fui Alice nove vezes, a mesma que caiu num túnel temporal chamado setembro. O sol queimou a vida, o amor se calou e secou um ser que aqui vivia. Mistura a vida, sacode as coisas, quem sabe daqui para lá os tempos se salvem.


Você foi e voltou, eu fiquei aqui, esperando vivendo. Nesse mês as coisas parecem tomar um fim. Não gostaria de estar aqui, mas infelizmente, estou. Até o sol quis ir embora. As coisas perderam completo sentido.

Estou aqui, mas não ai, caindo. Vazio, por ora queimo em encontro ao denso do ar. Por ora durmo e quando acordo vivo o pesadelo acordado. É sujo, há cantos onde a luz não alcança, há coisas perdidas por aí, que esqueci de tê-las. A vida se escondeu onde a humanidade não a alcança, num lugar onde não pode ser tocada.


Faz silencio para não ser encontrada, quis sumir, mas ainda não teve vontade de voltar. Não sentiu pena de quem ficou. Abre a porta para o ar poder entrar. É primavera, as flores nascerão e depois serão tapete para um amor passar. Se cale para ouvir o silêncio da vida. Sobreviva a ele, resista. Deixa e faz a vida passar.

Setembro antecede nossa historia e nela houve de tudo. Atravessa o tempo, atravessa a mim. Esbarra no desconhecido, não causa dor. Em setembro o mundo veio a baixo, a vida provou da própria existência. A verdade foi invertida, e ela já me conheceu melhor. Histórias nasceram, outras ganham seus pontos finais, outras ainda a correr do destino. Nem se sabe o que foi.

O novo veio, carregado com o desconhecido. Domingo, um dia depois de eu ser setembro. Que se beba da vida, mas que também se saiba lidar com a desordem que ela fizer dentro de nós. Beber da vida causa caos. 


A vida esquentou, foi num eterno de lá para cá e daqui para lá. Venceu na própria destruição. Amarelo. Sem porquês que justificassem um hoje, sem saber como se chegou ate aqui, imperceptível. Desconhecido. Acabou com as chances, acabaram os dias, deu fim a mim. E finalmente, acabou setembro.
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1 de setembro de 2017


Incertezas

Que ninguém se engane, viver não é fácil. Se alguém te disse isso, sinto muito, essa pessoa mentiu.

Esperar a intervenção de seres superiores é angustiante. Ter a coragem de encarar quando, aquilo que nos perguntamos é respondido, é desesperador.  Ser incerto naquilo que quer. Ter certeza de coisas que faremos e daí criamos verdades. São pensamentos que podem causam confusão ao ser mais sano do mundo. O coração sabe lá o que sente. A vida nunca teve tanto sentido. Nunca estivemos tão felizes e nunca estivemos tão angustiados. Sentimos tudo, desde o melhor dos sentimentos até os mais destruidores, mas, no fim das contas não sentimos nada. 

A vida é cheia de incertezas, seja nas oportunidades, seja no amor. E vive a pregar peças. O tudo, nunca esteve tão perto, mas também nunca esteve tão longe. Verdades? O futuro é um mistério, por ser tão desconhecido. O que se faz hoje, muda de forma definitiva o amanhã. Ele é mutável. E por isso assusta os corajosos.

Há coisas na vida que escolhemos, outras que devemos apenas aceitar e não se questionar porquê. Existem prisões individuais que criamos e prisões coletivas. Se a flor dará frutos? Só o tempo dirá. Ele é resposta, remédio, como também pode virar uma doença.


Viver é estar aberto a riscos. Morrer sozinho, se machucar ou mesmo cometer erros. Mas, errar nada mais é que uma resposta de que você está tentando. Errou, e que bom que errou. Incerteza é a angústia vinda do amanhã, avesso da determinação. É o que não se consegue ver, medir, enxergar, desconhecido e por isso tanto assusta.

Azul ou verde? Não sei bem. O sol virá, temos fortes evidências. Passado. Como eu sei? Simplesmente sei, e sou convicto disso.

Que horas são? Não possuo confiança para dizer. Ser incerto, é estar apto aos riscos, é ter contrato com o improvável. Variável que se respira na rua, mas que não mata. Poluição. Confusão. Jogo de azar. Pois, na vida, só se tem uma certeza, meio ao infinito de possibilidades, essa, é a morte.
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26 de agosto de 2017


Carta do Mundo de Fora

Ei, sei que você está aí. E não posso te ajudar sem que você me ajude. 

Te conheci por historias contadas, ouvi seus gritos, silenciosos, no meio da noite, e te notei algumas vezes que esteve aqui perto. Descobri sua existência, e isso não é um erro, vim aqui para dar voz a liberdade, te mostrar um mundo que pode ser mais bonito e maior que tudo que você já viveu. Mas primeiramente, preciso que seja verdadeiro consigo mesmo.


Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

Eu sei que algo aí dentro pede por mais, e grita por algo. Fica claro no seu silencio. No fundo, de muito silencio, há algo a ser dito por uma mente que faz muito barulho. Você sabe mais que qualquer um, o que isso clama, sabe dar silencio a vozes interiores. Chega uma hora que de tanto guardar magoas, naufragamos em nos mesmos.

Não se esconda. Você pode ser mais forte que tudo. E sim há mais de você, em você, do que imagina, eu pude notar isso. O pouco de graça que existe aí, pode florescer e levar a primavera por aí, mundo afora, você só precisa acreditar. O inesperado guarda o belo da vida.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

A vida te levou aos poucos tudo que tinha de bom, e você nem viu. Se preocupou tanto com os outros que esqueceu de si mesmo, e acredite, você não peca por isso. Só mostra que renuncia de tudo para fazer bem aos que ama e aos que importam. Soube sorrir mesmo quando sangrava por dentro. Soube ser forte, mesmo quando teve todos os motivos para desabar sobre os próprios joelhos.

Você tem sonhos, vontades, desejos e isso é o que te faz belo. Descubra-se meio a isso que você criou, e quando encontrar segure com toda a força que puder. Isso aí é o melhor de você e pode te levar para longe de tudo isso que te impede. Aí existe algo que te fará tão intenso e tão imenso, que o mundo parecerá pequeno. Esse não pode ser seu fim. 

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.
Escolhemos a vida que levamos, você escolheu a sua, e isso te trouxe até aqui, hoje paga o preço por isso. Proclamamos fins às coisas que um dia tiveram começos, marcamos épocas de vidas alheias, escolhemos nossos sonhos, planejamos voos distantes e saltos rarefeitos na vida, tudo isso porque no primeiro respirar, fomos livres, e ainda somos.

Em cada um de nós, moram verdades que só nos conhecemos, fato que contamos, omitimos ou mentimos. Há realidades que calamos, algumas que damos vozes e outras tatuamos na pele. Verdades que deixam marcas porque pesam, e verdades que se vão, porque são leves e fogem pela boca. E que não deixam de ser nossas.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.
Somos donos da nossa liberdade, sempre fomos e por isso somos capazes. Na vida os que podem, são os que sabem e os que querem verdadeiramente. Você está aí, mas pode ir para onde quiser, ou ficar onde está, porque assim como damos forma à nossa armadura e força às nossas asas, sabemos exatamente como construir nossas próprias prisões.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.


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