26 de agosto de 2017


Carta do Mundo de Fora

Ei, sei que você está aí. E não posso te ajudar sem que você me ajude. 

Te conheci por historias contadas, ouvi seus gritos, silenciosos, no meio da noite, e te notei algumas vezes que esteve aqui perto. Descobri sua existência, e isso não é um erro, vim aqui para dar voz a liberdade, te mostrar um mundo que pode ser mais bonito e maior que tudo que você já viveu. Mas primeiramente, preciso que seja verdadeiro consigo mesmo.


Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

Eu sei que algo aí dentro pede por mais, e grita por algo. Fica claro no seu silencio. No fundo, de muito silencio, há algo a ser dito por uma mente que faz muito barulho. Você sabe mais que qualquer um, o que isso clama, sabe dar silencio a vozes interiores. Chega uma hora que de tanto guardar magoas, naufragamos em nos mesmos.

Não se esconda. Você pode ser mais forte que tudo. E sim há mais de você, em você, do que imagina, eu pude notar isso. O pouco de graça que existe aí, pode florescer e levar a primavera por aí, mundo afora, você só precisa acreditar. O inesperado guarda o belo da vida.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

A vida te levou aos poucos tudo que tinha de bom, e você nem viu. Se preocupou tanto com os outros que esqueceu de si mesmo, e acredite, você não peca por isso. Só mostra que renuncia de tudo para fazer bem aos que ama e aos que importam. Soube sorrir mesmo quando sangrava por dentro. Soube ser forte, mesmo quando teve todos os motivos para desabar sobre os próprios joelhos.

Você tem sonhos, vontades, desejos e isso é o que te faz belo. Descubra-se meio a isso que você criou, e quando encontrar segure com toda a força que puder. Isso aí é o melhor de você e pode te levar para longe de tudo isso que te impede. Aí existe algo que te fará tão intenso e tão imenso, que o mundo parecerá pequeno. Esse não pode ser seu fim. 

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.

Escolhemos a vida que levamos, você escolheu a sua, e isso te trouxe até aqui, hoje paga o preço por isso. Proclamamos fins às coisas que um dia tiveram começos, marcamos épocas de vidas alheias, escolhemos nossos sonhos, planejamos voos distantes e saltos rarefeitos na vida, tudo isso porque no primeiro respirar, fomos livres, e ainda somos.

Em cada um de nós, moram verdades que só nos conhecemos, fato que contamos, omitimos ou mentimos. Há realidades que calamos, algumas que damos vozes e outras tatuamos na pele. Verdades que deixam marcas porque pesam, e verdade que se vão, porque são leves e fogem pela boca. E que não deixam de ser nossas.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.
Somos donos da nossa liberdade, sempre fomos e por isso somos capazes. Na vida os que podem são os que sabem, e os que querem verdadeiramente. Você está aí, mas pode ir para onde quiser, ou ficar onde está porque da assim como damos forma à nossa armadura e força às nossas asas, sabemos exatamente como construir nossas próprias prisões.

Créditos: Ordinary Young Man, Fernando Cobelo.


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18 de agosto de 2017


Como nasce um texto?

Para começar, por ora eu também sofro da Síndrome do impostor, quando pensamos que não somos tão bons quanto falam e que tudo não passou de sorte. Nessas idas e vindas já me disseram que eu sou bom e que me perguntaram se penso em escrever um livro e afins, mas me vendo como escritor, eu ainda aprenderei (viver) muito até chegar lá. Muitos chegam a se perguntar, outros até não, como nasce tudo isso, de onde vem toda essa inspiração, criatividade, esse feeling todo com as palavras. Como nasce um texto.


Vocês devem ter notado, outros não, mas quando posto algum status no Facebook, pode esperar que tem algum texto falando algo parecido com o foi publicado. Bem, aquele status nada mais é do que um texto nascendo. A inspiração pode vim a qualquer hora em qualquer lugar, não tem hora, nem lugar, simplesmente vem e ali começa a germinar a coisa toda.

A exemplo, o texto Cicatrizes, onde eu falo da infância de um garoto (eu), que valeu a pena e que ele não tinha vergonha de mostrar suas marcas, porque elas eram o símbolo de que tudo tinha valido. A inspiração veio enquanto eu estendia roupa, simples assim. Já Permita-se nasceu enquanto esperava o ônibus na parada e uma nuvem passou, fazendo chover e enquanto todos se escondiam eu me deixava molhar, queria me permitir aquilo.


Outros textos são reações, respostas minhas a fatos acontecidos. Refúgios e outros muitos foram escritos enquanto eu passava por uma depressão, agravada por problemas do tipo vida adulta, faculdade, termino do ensino médio, sexualidade e afins. Nessa época escrevi bastante, inclusive um texto parecido com esse, mas de lado mais literal, muitos deles permanecem em rascunho desde o fim de 2014 até março de 2015, fazem parte de um projeto do antigo blog, o Caderno Amarelo. Um dos muitos projetos do novo blog, o ViVendo.

Muitas vezes o feeling do texto vem de um filme, uma simples frase que me faz pensar a coisa toda, eu simplesmente posso trabalhar um texto inteiro em cima dela. Pode ser uma música ou mesmo algo que alguém me falou que faz eco em mim e eu não sossego até escrever aquilo. Pode vim também trazido pelo vento na janela do ônibus, teve uma série de textos que fiz enquanto passeava pelas ruas dessa cidade.

Sou altamente sensível e perceptível a coisas que pessoas normais não notam (Lua em Peixes), logo a cada esquina nasce um texto novo, em certas épocas. Tem muito em rascunho no blog, o que eu chamo de deixar de molho, até que eu revise, coloque fotos e então publique o texto. Esse tempo é bem relativo. Hoje tem muita coisa em rascunho e mesmo postando toda semana eu crio mais que posto e tudo vai se acumulando.

Teve texto que saiu em horas, outros demoraram dias trabalhando todo dia nele. Victoria nasceu em poucos minutos, já O Mundo, que era um texto para ser de fim de ano, veio sair só em fevereiro. Aqueles textos mais informativos e aleatórios, são coisas que vejo por aí e acho que o pessoal (leitores) também gostariam de saber. Geralmente coisas novas, claro, novidades. Que eu vejo ao longo da rotina, com meu espírito de entender como tudo funciona, e de farejar tudo para por coisas novas aqui.






No mais a inspiração vem da vida, do viver, isso justifica os períodos entre ferias serem pouquíssimo produtivos, só escrevo o que vivo, se não vivo, não escrevo, a não ser que me sinta angustiado com isso e acabo fazendo texto sobre isso, Tempo nasceu de uma dessas. Já a criatividade piora quando se tem um amor incompreendido por metáfora, que acaba comparando a vida a um bung jump.
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13 de agosto de 2017


A breve história dos heróis


Heróis não nascem nas telas da TV, não são criados por computação gráfica ou muito menos se resumem a quadrinhos. Eles habitam esse mundo, estão aqui, entre nós. Nascem todo os dias, assim como eu, você, meu pai, sua tia e sua avó temos os nosso valentão de coração mole. Esses heróis não são os que salvam as cidades, matam monstros ou mesmo lutam contra vilões, mas se preciso for preciso ele dará a sua vida por você.


Ele te levava para cama quando você, sem querer, dormia no sofá. Te ensinou a apertar o parafuso para o lado certo. Aquele que te levava para sair de casa, nem que fosse só para conhecer as ruas e aprender a se virar no mundo lá fora. Que fazia de tudo para te deixar em casa, só para te ter por perto, ali sobre o amparo dele, sob seus cuidados, caso contrário ele enlouqueceria, se soubesse que você estava em apuros e que não podia ajudar.

Heróis umas horas, caçadores de presente em outras. A alegria era incomparável quando por telefone, sabíamos que nossos heróis tinham encontrado nosso presente por aí e estavam a caminho para traze-lo, óbvio eles não vinham voando, vinham de ônibus ou dirigindo seus carros, a final esses salvadores, por mais fantásticos que fossem, não sabem voar.

Como todo bom herói, eles não vivem para sempre. Sua missão básica: passar seus ensinamentos para manter o legado, e assim por diante, e primeiro, ser insubstituível. Heróis não morrem, viram uma lenda. Nós, aprendizes lembramos de seus ensinamentos e de suas batalhas épicas como ninguém. Para alguns seus heróis são conhecidos apenas por fotos, outros por borrões de lembranças da infância, outros só chegam a conhece-los por histórias contadas sobre eles.


Por mais que tenha sido pouco tempo, pouca convivência, pouco contato ou pouco aproveitado, lá, no fundo, sabemos que nossos heróis foram capazes de tudo só por nos. Só para ver um sorriso no nosso rosto, para não que não chorássemos, para que não sofrêssemos. Ainda que não digamos abertamente para todos em modo público no Facebook, que poste fotos no Instagram, só existimos por que eles estiveram um dia aqui e lá, no fundo, apesar de brigas, surras, conversas, chateações ou ausência somos gratos a eles, por tudo, porque foram, são e serão, nossos eternos heróis.

Obrigado Pai. 
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12 de agosto de 2017


Para Vida Toda

A música era alta, abafava os pensamentos aqui dentro, todos dançavam da forma que podia, o lugar aos poucos ficando cada vez mais apertado favorecia a possibilidades de choques efetivos entre partes que se atraem, e com você, não foi diferente.

Foi numa passada de olhos rápida que tu foste minha presa da noite, te quis e não havia ninguém que me impedisse, você ia ser meu e era isso que importava. Por mais de dois segundos você me quis, e isso era o bastante para que eu seguisse em frente com todo o plano.

Mas o meio não era favorável, impedidos pelas pessoas que nos cercavam nos limitávamos a pontuais trocas de olhares. O frio na barriga de principiante, o medo de algo dar errado, era uma sensação boa. Senti aquilo, me lembrou da quando era um garoto, começando a descobrir que podia habitar outros corpos. 

Música por música o tempo ia passando, vi minhas chances indo embora, quando  inesperadamente você chegou. De predador, eu virei presa, sem direito a resposta ou de negação, fiz calmaria num coração revolto. Um domador tornando posse de uma fera, movimentos calmos e controlados, aquilo era uma dança cujo ritmo se desconhece, mas que íamos pegando a manha e conhecendo o gingado um do outro.

Não sabia quando ia acabar, ou se poderia ter algo além daquela noite ou mesmo das portas dali, que seja enquanto durar, cada beijo o ultimo, uma despedida. Poderia não ser para a eternidade, mas que fosse bom enquanto durasse.

Tinha tudo para ser um dia qualquer, uma noite como qualquer outra, me sentindo  menino deslocado, de mente calada, mas gritando o mais alto que podia, encontrei você. Poderia não ser o mais bonito de todos muito menos o mais tentador para muitos, mas isso só importara a mim naquela hora, foi quem eu escolhi para mim, naquela noite, naquele lugar e que parecia mesmo, ser para vida toda.
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