5 de dezembro de 2014


Heróis de luzes travessas


Fez-se silencio, e como se já estivesse no script, as estações começaram a ser modificadas. A professora de repente ganha o céu, embalada por braços atônitos, daí começa então o aguaceiro de lágrimas umas justificadas, outras injustificadas porem apoiadas na incompreensão coletiva do momento. É, o nosso "pra sempre" que chegou ao fim.

Onde estará esse pessoal todo no futuro? Disso eu não sei, mas posso garantir que estarei seguindo meus sonhos, meus instintos, aquilo que me move. Passeio pelo momento, imaginando como seria um encontro de todos ali num futuro um tanto distante, com seus cônjuges e seus filhos, seus empregos suas casas, maravilhas dadas pelo tempo.

Alegres por então estar perto da sonhada universidade. São estranhas as pessoas, tanto querem entrar nesse troço, mas na verdade elas estão recrutando-se para o desconhecido, é como sonhar em ter um avião sem nunca se quer ter voado nesse bicho.

Ano após ano, uma condição linear, muitas chegadas, muitas partidas e acima de tudo muito aprendizado. Professores amigos, outros nem tanto. Quantas provas e quantos trabalhos, brigas que provaram amizades e laços que se provaram em despedidas.

Fomos guerreiros de uma batalha vã, heróis de uma historia desconhecida. Chegamos a beira desse abismo e nele nos atiramos, sem se quer saber o que nos espera no fim dele, se é que tem fim.

Amizades formadas, mesmo que isso gerasse ciúmes nos outros amigos. Brigas e intrigas entre grupos, turmas e até entre amigos que animaram aquelas segundas chatas de aula, ou que tornaram os dias simplesmente inesquecíveis - quem esquece a Ana Dedos Nervosos? Aquela musica que marcou o ano, os grupos de amigos, foram esquecidas e quando ouvida hoje traz a nostalgia no som e faz lembrar-se de o quanto éramos caretas e o nos sentíamos populares. Crescemos juntos, nos entendemos e quando achamos que estava tudo bem, os sacanas da diretoria bagunçam as salas e jogam uns intrusos de outras turmas e bagunça aquela harmonia que existia, mas a Seleção Natural trata de adaptar eles ao meio e logo virávamos melhores amigos. Quantas meninas já nos apaixonaram nesses muitos anos, quantos ficas, quanta coisa mal resolvida. Amores correspondidos, paixões nunca resolvidas e depois esquecidas. Erros, vacilos, escrotices. Esses anos foram foda.

O tempo. O amor. O ódio. A segurança. A tristeza. A felicidade. Os contrários unidos. De repente o chão desaba. Acaba tudo. Você está só, apesar de saber que todos estão ali ao seu redor. Você é a pessoa mais perdida do mundo, apesar de e saber exatamente quem é, onde está e que caminho seguir. Onde está Deus hora dessas? Me mim, em ti, no Oiapoque no Japão. Aqui!

O começo do fim. O inicio de um novo começo. Principio e fim tão próximos. Alfa e ômega de mãos dadas.

Pode ser que esse seja nosso fim. O fim da história jamais conhecida, da batalha jamais iniciada. Uma vez ouvi em algum lugar, que apesar de morta, uma estrela não deixa de brilhar. Parece doideira, mas não é. Acontece que sua luz, vaga por aí pelo universo, o sem fim e sem começo, O astro não morre, apenas transforma-se em um mistério, e que mistério, e a estrela, travessa, danada, confunde galáxias por aí.

Desse jeito somos nós, podemos morrer, partir, mas não perdemos nosso titulo de estrela. Apensa vagará por aí sem vida, mas com luz, fazendo travessuras por outras galáxias outros espaços. Tornamo-nos mistérios, mistérios como a caixa de Pandora. Podemos não ter vida, mas ainda temos luz, infinita e inconsumível, mas ainda somos travessos e misteriosos ainda somos estrelas.
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10 de setembro de 2014


Viver, a maior das inspirações


O cursor o encarava pulsando, em um tom de clemencia. Inerte e vivo. Alegre por em fim ter algo sobre o que escrever, depois de um longo regime de compor, tinha vários assuntos na cabeça, sobre os quais escrever. Um tanto embaraçados, como um fone de ouvido no bolso de um jeans qualquer. Logo o sujeito começou a digitar algumas linhas, por um momento sentiu que a coisa iria fluir, porem esse pensamento foi varrido da sua cabeça quando as ideias, em um turbilhão, não conseguiram se arrumar de forma lógica para dar um certo sentido ao texto.

Ele culpava o regime por levar dele o dom de escrever sem recursos maiores. Não sabia o que fazer, quando sua consciência, buscando- o ajudar, evocou uma frase. "Ofereça algo a seu gênio" e era isso o que ele faria. Café, boa música, dança livros e sol. Depois de algumas faixas ele voltou para o seu computador e tornou a escrever, porem não o bastante para render um texto. A guerra estava perdida. Fechou o navegador, desligou o computador e foi para a sua cama para ler algum livro enquanto a inspiração não o assumia, para em fim terminar o texto.

Minutos, horas e dias passaram-se e nada de inspiração. Disse para si que não queria sairia de casa enquanto terminasse o texto. De fato mal resolveu colocar a cara para fora do portão, a não ser que o seu texto estivesse em fim finalizado. Recomeçou, retomou. Nada.

A sociedade do lado de fora, o exigiu e ele teve de se fazer presente. Estava quebrado seu juramento de não sair de casa, até o texto está terminado. Foi quando resolveu se preparar para enfrentar a selva de pedra que uivava seu nome, no lado de fora. Era quase meio dia quando em fim saiu da sua zona de conforto.

Ao abrir o portão deparou-se com uma linda planta que cobria toda a porta da sua casa, suas folhas filtravam os raios solares. Ao sair do amparo da planta deparou-se com um céu de um azul simplesmente indescritível. Ele logo foi tomado por um sentimento bom, não sabia explicar qual, mas sabia que no fundo era uma coisa boa.

Já no ônibus, ele admirou a paisagem que passava janela afora como se fosse a primeira vez. Encantado com tudo passou a ver encantos onde não via antes, apesar de fazer o mesmo caminho há anos. Então chegou a hora de desembarcar da astronave da contemplação e dá continuidade ao caminho a pé. O lugar era desconhecido, porem ele sabia lá chegar uma vez que antes de sair de casa olhava no Maps onde ficava o lugar os ônibus que ali passavam, pontos de referencia e essa coisarada toda. A edificação, a medida que ele caminhava diminuía, o vento, vindo do mar, alisava seu rosto e ecoava em seus ouvidos. Ao dobrar uma esquina ele defrontou-se com um lindo prédio clássico, um prédio azul, perguntou-se de quando seria aquele prédio. O fato era que aquele não seria o primeiro, muito menos o ultimo, que ele veria naquela tarde. Ele continuou trilhando o caminho pro compromisso, deparando-se com prédios cada vez mais lindos.

Ao sair do compromisso, verificou seu relógio, 15h30min, ele teria tempo o suficiente para voltar sem pressa para casa. Pensou em refazer o caminho, mas queria saber se haveria outros prédios antigos. E foi avançando pelas ruas que avistou um carrinho onde uma mulher e um homem preparavam e serviam tapiocas para os cobiçosos famintos. A culpa era do destino, só podia ser ele e suas zombarias com as pessoas. E foi admirando as pessoas, deliciando-se com suas tapiocas e seus singelos copos de café, que então ele lembrou o quanto gostava das duas coisas e de o quanto queria comer tapioca nesses últimos dias, e que aí foi mais uma vez que o destino aprontava com ele.

Já no ônibus, sentado a janela, seguia o caminho de volta entre prédios de uma altura considerável. Foi então que a nave fez uma curva de 90º e o laranja invadiu sua vista. Era o pôr-do-sol. Enquanto outras pessoas colocavam a mão na cara para admira-lo ele fazia questão de manter o olhar na mega estrela. Olhou aquela paisagem até que não lhe fosse mais permitido.

Foi admirando aquela paisagem, extraordinária que começou a refletir como coisas simples e ingênuas como, café, céu azul, por-do-sol e tapiocas. Poderiam carregar consigo o poder de transforma um dia. Aquele mesmo dia sem inspiração, sem graça, tedioso. Agora se mostrava um dia surpreendente apesar de ele se quer ter exigido coisa alguma dele.

Ao chegar a casa, tratou logo de ligar o seu notebook, e as palavras simplesmente jorraram dos seus dedos. O texto foi então sendo tecido, paragrafo por paragrafo. Até o ultimo e irrevogável ponto. Agora o cursor pulsava dessa vez de exausto e farto de todas aquelas palavras. Foi então que o autor descobriu que não precisava de café, musica ou dança para render textos dignos. O que ele precisava era viver.



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17 de julho de 2014


Exame De Férias

Meu plano era de, colocar o texto no blog antes da volta às aulas. Porem meu faro autocrítico não me permitiu de faze-lo. Bem está aí o texto pronto, espero que gostem. : ) 

Há poucos dias da volta às aulas é a época onde nos submetemos a um "exame de férias" onde se faz avaliações do que fizemos se foram boas ou não, o que poderíamos ter feito e não fizemos e outra mais analise. Confesso que essas minhas férias -- de meio de ano como chamo, em outros lugares são férias de inverno, quem me dera inverno -- tinha tudo para serem as piores da minha vida, porem esse "tinha tudo" acabou tornando minhas férias espetaculares.


Nostalgia. A palavra que define exatamente como foram minhas férias. Muito dos dias permaneci em casa, e em algum desses resolvi me unir aos garotos da rua que se divertem do jeito deles, que fique claro que a maneira que eles o faz pouco difere da maneira que eu fazia alguns anos atrás, quando eu era como eles, garoto. Soltar pipa, ficar na rua quando todos estavam adormecidos em seus lares, andar de bicicleta coisa que não fazia a anos, me senti um verdadeiro garoto de 10 anos, e foi sem sombra de dúvida isso que fez minhas férias serem espetaculares. Além dessas coisas de quando eu era garoto, fiz coisas que antes me dava o luxo de fazer e que hoje, por conta da insuportável rotina, caíram no esquecimento. Cuidar do jardim, arrumar o quarto (kkk'), arrumar a papelada da escola -- quantos e quantos papeis desnecessários vão para o lixo nessa época? -- e é nessas singelas coisas, que notamos o quanto podemos ser felizes com coisas simplórias, sem precisarmos fazer mega viagens, comprar mega coisas, ir a uma mega festa e mais outras coisas megas para sermos felizes. 

Ficamos renovados prontos para fazer o que fazíamos antes, seja na faculdade, no trabalho, na escola... Muitas vezes a féria nos transforma. Nessas quatro semanas, fiquei isolado de alguns amigos, por conta de um celular quebrado, foi bom, mas também ruim. Bom já que me desuniu de muitos e isso me faz sentir saudade deles, das chatices, das palhaçadas, das manias e por aí vai. E é ruim já que isso te deixa de fora de tudo que rola entre os amigos, do que eles falam, para onde eles saem e você fica realmente isolado deles. 

No ultimo dia de férias não sabemos se estamos alegres ou tristes. A gente vai pra cama mais cedo, estamos inquietos com o dia que estar por vir, com isso mal dormimos, ficamos horas a fio pensando como será amanhã. O que vai estar mudado na escola? Como vai ser daqui pra frente? E inclusive fazemos alguns planos para sermos alunos melhores, mais atenciosos, mais prestativos... Mas são somente planos e não metas. As coisas divergem entre si. Quando por fim pegamos no sono, já perto da hora de acordar, somos retirados da inercia do sono pelo adorável azucrinante despertador. Aí pensamos consigo: "É. Definitivamente, as férias acabaram". 

Colocamos a nossa habitual farda, o ônibus faz o mesmo caminho de sempre, o mundo é o que está para além da janela e o que somente ali contido. Assistimos o mundo lá fora passar com sentimentos ruins, as férias enfim acabaram, teremos de voltar para nossas rotinas torturantes, que começávamos a sentir pelo afastamento, teremos que aturar de volta nossos professores/ chefes/ alunos, que até mesmo daqueles que menos apreciávamos, sentimos uma fina saudade de suas chatices e piadas sem graça. Mas também vamos com sentimentos bons, em fim estamos para nossa torturante rotina, sentimentos de termos vivido o que não vivamos ha uns tempos, de ter feito o que planejamos e o que não esperávamos fazer nessas quatro semanas - e que semanas loucas. Livros que lemos peças as quais assistimos livros que lemos e filmes que assistimos. Às vezes penso o quanto algumas de nossas ferias teriam tudo para serem as mais chatas, tediosas, sem graça, solitárias e tristes, e como elas do nada se tornaram uma férias inexplicável, sem palavras e totalmente extraordinárias apesar de toda simplicidade. Confesso que pasmei quando em menos de uma semana e sem ter se quer saído do raio costumeiro sujei uma quantidade incontável de roupas. 

Sentiremos saudades do que fizemos nas férias, noites não dormidas, dias de exageros, dias de dieta, dias em claro, dias inteiros hibernados... A saudade dos amigos nos faz esquecer, e talvez perdoar, o pior dos erros que eles possam ter cometidos. O medidor de erros volta à estaca zero. 

Ansiosos para saber como foi às férias dos amigos e um tanto aflitos para que nos perguntem como fora nossas férias, e aí falaremos, que apesar dos, "poréns" dos "mas" dessas quatro semanas sensacionais tivemos uma puta de uma férias.


Ps: Por-do-sol, o azul do céu, livros e café. Três coisas que me deixam feliz de uma forma inexplicável 


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23 de junho de 2014


Cicatrizes


Estavam lá, na sala, três garotos, primos. O mais alto e mais velho era magricela, ele dizia-se rico, dispunha de toda nova tecnologia, videogame lançado e trocava de celular sempre que podia, mas faltava o intelectual, ele repetiu a mesma serie várias vezes. O mais novo, branquelo, era chamado pelos parentes de "rato de laboratório" — até que fazia sentido — ele era criado pela avó, e pode-se dizer que foi uma criação cheia de frescuras e privações, ele vivia em um quarto abarrotado de brinquedos o que dava inveja em qualquer criança daquela idade. Já o do meio era corado e diferente dos outros dois, ele era o mais louco e mais inteligente, porém a maior parte da família tinha certa aversão pelo garoto, pelo seu jeito diferente por ter sido criado longe da família.


Os familiares estavam todos na cozinha, conversavam sobre tudo, e ficava praticamente impossível de saber quem e sobre o que eles falavam, pois, as vozes se asfixiavam. Os três garotos pareciam não se importar com o barulho vindo de lá, a final isso sempre acontecia quando a família toda se reunia. A casa tinha um corredor, que ligava a sala a cozinha, e dele raiava porta de quartos.

Na pequena sala, havia dois sofás e algumas cadeiras, já que eles não comportavam o porte da família, e quando não estavam na cozinha estavam na sala que dava de porta com a rua, e sempre os anciãos ocupavam duas cadeiras, onde o menino do meio estava sentado, os outros dois ocupava cada qual um sofá. Quando de repente eles começaram um dialogo nostalgia.

–Era massa, a época em que a gente brincava de carrinhos — falou o mais velho.

–Era sim, lembra o quintal todo bagunçado ai nos fazíamos às pistas para os carros — respondeu o do meio, o mais novo entendia o que eles falavam, mas não participava do dialogo, já que ele não era presente na época, na vida dos outros primos — Lembra que todo dinheiro que a gente pegava era para comprar carrinhos — completou o garoto.

Anos atrás os garotos entraram na mania dos carrinhos e todo o dinheiro deles eram para comprar esses carrinhos, eles passavam horas e mais horas na loja onde eles eram vendidos, e lá eles se desconectavam do mundo, eles não se cansavam, não sentiam fome só o desejo de possuir cada vez mais carrinhos. Eles passavam horas na loja para decidir que carrinho levar em meio a tantos e só então voltavam para casa, alegres. Porém, logo a alegria passava e os garotos davam-se conta de que precisavam de um carro novo.


Créditos: Flickr
–Lembra-se do parque? — perguntou o mais velho ao do meio.

–Lembro sim, como esquecer o parque se foi ele que marcou nossas férias? — era verdade em todas as férias de julho os garotos da pequena cidade do interior ansiavam pela chegada do parque ali.

O garoto mais velho nas férias valia-se da sua riqueza, ele chegava a comprar cinquenta reais de ingressos de uma só vez, quando os demais garotos chegavam a comprar dois ingressos, o que os davam o direito a dois brinquedos a cada semana. O primo mais velho, sempre andava com o do meio onde quer que fosse, já o mais novo era sempre capacho da avó e de sua tia — quase babá — e vivia preso pelas (milhares) de regras e imposições da sua avó gorda. Voltando ao parque, os garotos davam-se ao luxo de poder ir a vários brinquedos e só parar quando os eles tornavam-se algo tedioso e então eles voltavam para a casa dos avós.

–Vocês num sabe nem brincar, vocês ficam é quebrando os carros, colocando eles na areia, no piso — falou o mais novo.

–Pelo menos a gente usa os nossos, ao invés de deixar eles na estante ou nas caixas ou nos porta carrinhos nas paredes de enfeite — respondeu o do meio.

Aquilo calou o mais novo, era verdade, um dos luxos de viver com sua, avó eram os brinquedos que ela fazia questão de que o menino pertencesse porém, que não os usasse. Os brinquedos que ele usava (coitado), pareciam achados do lixo, velhos quebrados, totalmente diferente daqueles ali na prateleira, belos, limpos, novos e além de tudo caros, porém, nunca usados.

Happy Sunday

Os dois garotos retomaram a linha de dialogo, então quebrada pelo primo mais novo.

–E naquele dia que a gente fez um buraco, no muro do terreno ali ao lado, com uma bomba—  falou o do meio com um brilho nos olhos.

–Sim, até a Priscila estava com a gente lá — completou o mais velho.

Um dos passatempos prediletos dos primos era explodir bombas na rua em que morava isso deixava os moradores furiosos, e eles amavam isso. Inclusive o do meio carregava consigo uma cicatriz de um desses dias de bombas. Era lá pelas quatro da tarde, fazia um lindo dia, eles resolveram fazer mais um rasgo no muro do terreno baldio, e o fizeram. A parte mais emocionante do passatempo, era quando eles acendiam a tal bomba e corriam em disparada para longe, e foi assim que o garoto do meio tropeçou na hora de correr e ralou o joelho deixando uma memória permanente na pele, como uma tatuagem, marcando aquele momento.

–E aquela tua queda. Cara foi muito comédia —  falou o mais velho, começando a rir.

–Foi mesmo, na hora eu só queria correr pra não entrar em confusão, doeu, mas eu ria para não chorar — falou o garoto do meio levantando a bermuda para ver a cicatriz que ainda estava ali — ainda tá aqui a cicatriz.

Então o mais novo falou:

–Nossa como seu joelho é feio, cheio de cicatriz.

O do meio procurou palavras para responder o primo mais novo, mas não as encontrou, e não falou:

–Isso é sinal de que eu fui livre, solto, feliz diferente de tu, criado preso sem poder fazer isso ou aquilo... — o garoto vasculhou sua mente em busca de mais significados para aquelas cicatrizes, porém não achava. Por vez o mais novo calou-se e o olhou com cara de quem não entendeu nada, mas deixou aquilo de lado, não quis mais subestimar a inteligência e o falar do primo, pois o reconhecia como um garoto inteligente.

O silêncio se instalou entre os três, foram calados pelas vozes dos familiares na cozinha, e a risada da gorda, vó do primo mais novo, estremecia o lugar. Mas o garoto do meio ainda vasculhava sua cabeça para uma resposta para o primo mais novo, nada. Ele não encontrava palavras para dar sentido às cicatrizes e consequentemente a sua infância. Dando conta da sua busca vã, ele resolveu ficar em silencio, mas, na verdade ele só queria dizes que sua infância tinha valido a pena e que não haviam motivos para esconder suas cicatrizes, suas tatuagens de alegria, tristeza, quedas, pancadas e tombos.

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6 de maio de 2014


Abril da loucura

Em Abril sobrevivi a um Dia Da Mentira — que diria eu, ser a essência de Abril. O mês da mentira, e tudo não passou de uma grande mentira. 30 dias nada insanos, foi um mês árduo no financeiro, no convívio, na diversão inclusive no meteorológico, em fim foi difícil e acima de tudo, louco.


Foi em Abril de 1519 que nasceu o mais louco das artes, doido de pedra o pobi. O seu nome? Leonardo Da Vinci. Pai de Mona lisa. No outono de 1500, que um estúpido dos mares, navegando por mares loucos, encontrou o nosso  Brasil, terra de doido. Achando que tava na índia. Em Abril que nasceu e morreu o inventor do amor romântico Willian Shakespeare (1564-1616) pai de Romeu e Julieta, dois doido. Nessa época nasceu e morreu o mais disparatado das ideologias. Seu nome? Adolf Hitler (1889-1945), líder do louco partido nazista, que tinha a louca ideia de criar um espaço vital. Ou quase isso. Foi por aí também que em 1882 o fanático dos contos, louco pelo progresso, Monteiro Lobato, que inovou quando criou uma historia de uma boneca boneca que falava. Emília Emília Emília.


É em Abril que é comemorado o dia dos índios, e dos perturbados jovens e o dia em que um insano navio, criado, construído e guiado por pessoas insensatas, afunda matando 1523 que estavam a bordo. Seu nome? Titanic. Inclusive em Abril comemora-se o dia das sogras, aquelas que são doidas mas ninguém fala nada por respeito. É o mês dos arianos. Eu sou louco por eles. 

Se seu abril foi um mês tranquilo, agradeça aos céus, porque por aqui, chega Abril as coisas enlouquecem em todos os amplos sentidos da palavra. Sobreviver a Abril é quase de fazer uma festa maior que a virada do ano.

Abril foi - e é um mês louco, em todos os sentidos, e eu fico feliz por termos sobrevivido. Que venha mais Abril e que num desses aí a gente não enlouqueça (ou endoideça de vez).

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21 de abril de 2014


O bibliotecário amigo.

Sinceramente, eu não sei por onde começar esse texto.
Quem nunca foi na biblioteca da escola atrás de um livro e ele estava alugado? Pois é, isso aconteceu comigo um tempo atrás. E nisso ficava indo na biblioteca todos os dias, duas vezes, durante os intervalos. E nessas idas e vindas, fiz amizade com os bibliotecários de lá. Uma amizade ainda não tão evoluída, laços não muito estreitos, mas não deixa de ser uma amizade.

Minha serie só pode alugar livros as sextas, o que realmente uma pena. E na maioria das vezes nas vésperas das sextas eu vou à biblioteca pra procurar um bom titulo para passar o fim de semana saboreando. E em uma dessa sextas da vida eu tive que faltar por motivos de força maior (um vídeo do meu canal do YouTube) e não pude alugar o livro que eu queria. Algumas vezes eu alugo o livro por mera curtição, pra ler quando tiver um tempo livrem, e outras vezes estamos querendo nos informar sobre algo, querendo entender alguma coisa e precisamos realmente alugar um livro. 

E foi na quarta feira, quando eu fui à biblioteca escolher, prematuramente, o titulo da vez, que eu me dei conta que a sexta seria um feriado. Eu estava com uma amiga minha na biblioteca e ela queria levar um livro, só que era uma quarta, sem contar do fato de a gente presenciar duas garotas que chegaram e perguntaram se poderiam levar livros e receberem um "não" dos bibliotecários. 

Minha amiga achou um livro pra curtir e eu, eu precisava levar o livro pois teria tempo no final de semana para lê-lo e ficar por dentro do assunto, resolvi que iria convencer o bibliotecário a deixar, eu e minha amiga, levar os livros, ele disse que sim, mas com uma condição, que eu contasse para as pessoas que nos visse carregando o livro que era apenas uma renovação do aluguel. E adivinhem o que aconteceu? Assim que nos chegamos à sala um amigo perguntou: "E hoje é dia de alugar livro?" respondemos falsamente "É renovação". 

De muitos "melhores amigos" que temos, creio que muitos levariam anos de amizade para, quem sabe, superar aquele seu amigo bibliotecário. 


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18 de abril de 2014


Eu te chamei.

Alguns dias atrás fui ao centro da cidade com uns amigos da escola resolver umas coisas. E como de costume eu sempre que vou ao centro, vou a algum sebo comprar ou só mesmo olhar livros. Dessa vez eu não estava só, tinha um amigo comigo, quando me veio à cabeça a ideia de chamá-lo pra ir num sebo.

Eu o chamei para me acompanhar, ele falou que queria ir pra casa jogar um jogo online, chamado LOL. Eu não dei por perdido insisti, chamei, ele disse que estava cansado e com fome, sendo que eu também estava cansado e com fome. Ele não quis ir, eu parei então me despedi e fui rumo aos sebos da vida. Assim que lá cheguei estava fechado, mas não existe só um sebo no centro, fui a outros, e depois em outro quando em fim achei um aberto.

Era o sebo do Seu Claudio, ele tinha se mudado, então dá pra imaginar a bagunça que aquilo estava. Livros e mais livros amontoados em um cubículo, só tinha espaço para uma pessoa passar. Mas não dei por perdido, comecei a garimpar por livros que me interessassem no meio daqueles livros todos. Mas o Seu Claudio tratou logo de pegar sua escada e a me dar livros para olhar e pegar os que mais me agradassem. E foi em meio a esses vai e vem de livros que eu achei Clarice Lispector, O chefão, O código da Vinci, Stephen King, Guerra e Paz e por aí vai.


Separei uma pilha de livros, o modo de venda do Seu Claudio é um tanto curioso e aleatório, ele conta os livros, e dá um preço, no meu caso foi oitenta reais em uns 15 livros, não estava caro, só que eu não tinha todo esse dinheiro. Falei pra ele que só tinha vinte reais no bolso e ele disse pra eu escolher quatro livros da pilha. Eu escolhi os quatro e ele disse que ia guardar os livros pra eu ir pega-los depois, e ele o fez. Sai do lugar com o coração na mão, como ficariam os livros que eu lá deixei? Eu vou ter dinheiro para pega-los? Coisas da vida. Mas eu vou, de fato, voltar para pega-los. Voltei pra casa e mandei as fotos dos livros escolhidos pro meu amigo, àquele que eu tinha chamado no começo. O que eu disse?


- Eu te chamei.

Moral da historia: Se seu amigo leitor te chamar pra ir num sebo, não hesite, vá! Com certeza aquele lugar vai te surpreender em todos os sentidos.
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5 de abril de 2014


Eu, Clarice e Nossos Encontros




Faz um tempo, acho que um ano ou mais, que eu peguei um fascínio pela escritora Clarice Lispector, tudo começou quando eu estava de bobeira na internet e acabei parando em uma pagina de uma blogueira que falava alguma coisa relacionada à autora e ao apreço dela pelas artes, inclusive no texto tinha uma foto de um quadro onde estava desenhado um pássaro azul. No texto tinha um vídeo, que se tratava de uma entrevista de Clarice com um cara, na emissora Cultura, ela estava aborrecida, parecia irritada, fumou na entrevista e não queria conversa.

Foi aí, nessa noite que eu quis descobrir mais dessa mulher. . Não por meio de pesquisas na internet, mas por livros, filmes tudo que viesse a partir dela. Ela me encantava de certa forma, não sei explicar como. Foi também por meio da entrevista, que mostrou um trecho do filme "A hora da estrela" inspirado na obra de mesmo nome escrita pela Clarice, que eu fiquei louco pelo livro. Procurei em sebos, e nada. E foi em um bazar de livros, onde eu menos imaginava encontrar aquele livro. Que eu o achei. A Hora da Estrela, inexplicável foi minha alegria quando achei aquele livro. Sai do bazar fui pra casa, no ônibus peguei o livro e fui devorando no caminho, não passou dois dias e ele era um livro para ainda terminar. Mais tarde soube que a vida da autora iria virar filme, que inclusive ainda estou por esperar.



E um tempo atrás comecei a leitura do livro "Felicidade Clandestina", que reúne textos feito pela autora, lia no meu leitor de livros (Kobo), que apesar de ser feito só para livros tem lá suas limitações. O tempo passou, eu tive um hiato de leitura, passei alguns muitos dias sem tocar em livros e aos poucos voltei a rotina de leitura.



No sábado passado fui ao centro da cidade. E como de costume, fui a um sebo. Uma coisa que eu faço quando eu vou a um sebo, é entrar lá sem nenhum livro em mente, apenas esqueço tudo e deixo o lugar me surpreender. E é o que acontece de fato. Ao chegar no sebo falei com o Sr. Claudio e ele me veio com a mesma pergunta de sempre "você gosta de romance, clássico, autoajuda o que?" e eu sempre respondo "eu gosto de tudo seu Claudio, de tudo um pouco eu gosto". E ele tratou logo de pegar a escada dele e foi pegando umas pilhas de livros e me dando pra eu ver se algum livro dali me interessava. As pilhas continham livros dos mais diversos tipos, desde espiritismo até engenharia o que torna divertido analisar elas. E livro vai livro vem. E em uma pilha que nada prometia eu o achei "Felicidade Clandestina", meus olhos brilharam quando eu vi aquele livro. A partir daí, aquele meu dia começou a valer a pena.


Outro dia estava na biblioteca da minha escola, de cara com a parede dos clássicos quando eu fui tirar meu celular do bolso pra fotografar os livros e um papel caiu do meu bolso e foi pra de baixo da estante de livros, me abaixo pra pega-lo e quando eu olho pra última prateleira vi o paraíso. Uma prateleira inteiramente dedicada a Clarice Lispector. Fiquei maravilhado com aquilo. Assim que quitar as atuais leituras vou, com certeza, lá pregar um, quem sabe dois livros da autora pra desvendar esse mundo, que nasceu de um simples e singelo "sim". E ai serão encontros que não caberão nos dedos das mãos.

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15 de fevereiro de 2014


As minhas leituras e as pessoas gentis.

Os últimos dias têm sido muito corrido para colocar a leitura em dia e pra viver também. Só me resta o tempo que eu gasto, de casa para a escola e vice-versa, no ônibus pra por a leitura em dias. Acontece que se não fossem pessoas gentis que se oferecem para segurar meus pertences essa tarefa não seria possível, pois é quase sobre-humano tentar segurar suas coisas e ler sem cair no piso do coletivo ou esbarrar sem parar nas pessoas.

Ler no ônibus torna as distancias mais curtas, e a viagem fica muito mais rápida. Prefiro trocar duas páginas, de uma nova historia, por sete faixas de um CD velho, do mesmo jeito que prefiro trocar um fone de ouvido por uma livraria. O fone de ouvido é o pior inimigo da minha rotina de leitura. 
Percebo as pessoas me olharem de um modo diferente quando eu, de pé no ônibus, abro um livro e começo a ler ali mesmo, sem preliminares. Fico louco pra saber o que elas ficam pensando - que eu sou louco com certeza. 

Sorte a minha quando encontro algum lugar vazio. Ai posso continuar a leitura ali mesmo sentado de uma forma confortável. Enquanto o mundo passa la fora pela janela.

Graças a essas pessoas gentis eu posso fugir desse mundo que a elas pertence - o que me ajuda a não pirar com essa rotina louca que eu tenho - quem dera se eu pudesse agradecer essas pessoas com um livro. Mas um dia ainda hei de realizar esse feito..

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14 de fevereiro de 2014


Eu não ligo!!

Ultimamente eu tenho me visto quebrando à cabeça com um bocado de situações complicadas então eu resolvi não ligar mais pra elas. Quer saber dane-se. Quando uma amiga minha me vendo "nem ai" pra essas situações me perguntou:

– Tu não tá nem aí, num é?

Sim. Eu não costumo ligar pras coisas. Por que eu ligaria em chegar no horário na escola? Porque eu me importaria em usar o "porque" certo nesse post. Porque eu me importaria em comer ou não? Porque eu ligaria pro que os outros pensam – eles pensam? –?

Eu não ligo pra muitas coisas, isso é um fato. Acho que devo a isso ao meu temperamento tranquilo. Ou o contrario? Não sei, mas enfim. Vejo exemplos vivos como meu pai e minha mãe que se importa com tudo e com toda a toda hora, paranoia o tempo todo e stress a flor da pele. Pra não ligar pra alguma coisa e acabar por ligar pra tudo, eu prefiro não ligar pra nada.

Não ligar pras coisas deixa a minha vida mais tranquila. Há coisas com que devo me preocupar sim, e se pudesse não me preocuparia com elas. Preocupação estressa, envelhece. Mas não é isso o que me leva a ser desleixado. São outros "n" fatores.

Meu quarto está de ponta a cabeça, eu não ligo, recebo meus amigos na sala mesmo e quem sabe se eles não ligarem também eu os recebo no meu quarto mesmo. Talvez alguém me pergunte se um dia eu vou me arrepender de não ter ligado pras coisas. Sinceramente, "eu não ligo".



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5 de fevereiro de 2014


A biblioteca da nostalgia


Como a maioria já sabe, as aulas voltaram pra alguns, mas para outros não. Acontece que livros que eu peguei esse mês das ferias para ler títulos que serão estudados na matéria de literatura desse ano. Alguns desses livros são clássicos e muitos desses têm uma linguagem difícil e uma narrativa lenta e cansativa. Eu gosto de ler o livro digital quando tenho o livro físico, pois quando canso de um vou ler no outro e vice versa. Acontece que eu estou lendo Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos e estava esperando desde o inicio do ano a biblioteca voltar as suas atividades. Bem ela voltou nessa segunda-feira (3) e ao entrar na biblioteca me deparei com alguns velhos títulos que eu achei que nunca iria ler. Mas hoje com toda essa fome insaciável desejo que tivesse tempo suficiente para lê-los. E vem-me aquela sensação nostálgica de anos atrás quando só me interessava por livros com gravuras. É meu caro o tempo passa, e ele passou pra mim também.


Livros como George Orwell que eu nunca ouvi falar nem mais pretos nem mais brancos agora são um dos meus mais procurados nas prateleiras. Quem é esse livro Vidas Secas do tal Graciliano Ramos?


Não só livros desejados, mas livros já lidos são nostálgicos. Se pudesse relia Os 7 Hábitos de Adolescentes Altamente Eficazes semanalmente – se pudesse – mas as regras da biblioteca e a rotina de leitura não permitem.  De fato entre livros é um lugar onde eu fico mais leve, os problemas se vão e sou só eu e as prateleiras e o mundo que se dane. Eu estou na biblioteca da nostalgia, voltando os anos e os momentos e é isso que importa. Quanto ao resto, o resto que dane-se, a final é como se diz, resto.  



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3 de fevereiro de 2014


Livraria no quintal de casa


Nos últimos dias amigos meus têm me falado que, faz pouco tempo, abriu uma livraria  em um shopping aqui perto de casa. Bem só hoje eu sair de casa e fui conhecer a tal livraria. Ao chegar deparei-me com vários livros de vários preços. Livros de culinária, religião, infanto-juvenis e infantis.
Eu fiquei surpreso com a livraria, tanto pelos preços acessíveis como pela localização, em um shopping no centro de um município. Livrarias e bancas de revistas quase não existem por aqui, logo esse tipo de comercio ganha muito durante o ano todo. 

Livros YA


Diário de um Banana

Clássicos da literatura internacional





Livros Infantis 
Livros de história

Livros de auto-ajuda


PS: Hoje ( Dezembro de 2014 ) a livraria fechou por conta de forças maiores.


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