5 de dezembro de 2014


Heróis de luzes travessas


Fez-se silencio, e como se já estivesse no script, as estações começaram a ser modificadas. A professora de repente ganha o céu, embalada por braços atônitos, daí começa então o aguaceiro de lágrimas umas justificadas, outras injustificadas porem apoiadas na incompreensão coletiva do momento. É, o nosso "pra sempre" que chegou ao fim.

Onde estará esse pessoal todo no futuro? Disso eu não sei, mas posso garantir que estarei seguindo meus sonhos, meus instintos, aquilo que me move. Passeio pelo momento, imaginando como seria um encontro de todos ali num futuro um tanto distante, com seus cônjuges e seus filhos, seus empregos suas casas, maravilhas dadas pelo tempo.

Alegres por então estar perto da sonhada universidade. São estranhas as pessoas, tanto querem entrar nesse troço, mas na verdade elas estão recrutando-se para o desconhecido, é como sonhar em ter um avião sem nunca se quer ter voado nesse bicho.

Ano após ano, uma condição linear, muitas chegadas, muitas partidas e acima de tudo muito aprendizado. Professores amigos, outros nem tanto. Quantas provas e quantos trabalhos, brigas que provaram amizades e laços que se provaram em despedidas.

Fomos guerreiros de uma batalha vã, heróis de uma historia desconhecida. Chegamos a beira desse abismo e nele nos atiramos, sem se quer saber o que nos espera no fim dele, se é que tem fim.

Amizades formadas, mesmo que isso gerasse ciúmes nos outros amigos. Brigas e intrigas entre grupos, turmas e até entre amigos que animaram aquelas segundas chatas de aula, ou que tornaram os dias simplesmente inesquecíveis - quem esquece a Ana Dedos Nervosos? Aquela musica que marcou o ano, os grupos de amigos, foram esquecidas e quando ouvida hoje traz a nostalgia no som e faz lembrar-se de o quanto éramos caretas e o nos sentíamos populares. Crescemos juntos, nos entendemos e quando achamos que estava tudo bem, os sacanas da diretoria bagunçam as salas e jogam uns intrusos de outras turmas e bagunça aquela harmonia que existia, mas a Seleção Natural trata de adaptar eles ao meio e logo virávamos melhores amigos. Quantas meninas já nos apaixonaram nesses muitos anos, quantos ficas, quanta coisa mal resolvida. Amores correspondidos, paixões nunca resolvidas e depois esquecidas. Erros, vacilos, escrotices. Esses anos foram foda.

O tempo. O amor. O ódio. A segurança. A tristeza. A felicidade. Os contrários unidos. De repente o chão desaba. Acaba tudo. Você está só, apesar de saber que todos estão ali ao seu redor. Você é a pessoa mais perdida do mundo, apesar de e saber exatamente quem é, onde está e que caminho seguir. Onde está Deus hora dessas? Me mim, em ti, no Oiapoque no Japão. Aqui!

O começo do fim. O inicio de um novo começo. Principio e fim tão próximos. Alfa e ômega de mãos dadas.

Pode ser que esse seja nosso fim. O fim da história jamais conhecida, da batalha jamais iniciada. Uma vez ouvi em algum lugar, que apesar de morta, uma estrela não deixa de brilhar. Parece doideira, mas não é. Acontece que sua luz, vaga por aí pelo universo, o sem fim e sem começo, O astro não morre, apenas transforma-se em um mistério, e que mistério, e a estrela, travessa, danada, confunde galáxias por aí.

Desse jeito somos nós, podemos morrer, partir, mas não perdemos nosso titulo de estrela. Apensa vagará por aí sem vida, mas com luz, fazendo travessuras por outras galáxias outros espaços. Tornamo-nos mistérios, mistérios como a caixa de Pandora. Podemos não ter vida, mas ainda temos luz, infinita e inconsumível, mas ainda somos travessos e misteriosos ainda somos estrelas.

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