31 de julho de 2017


Até sábado

Até sábado são cinco dias, até lá tudo pode acontecer.

Até lá eu posso morrer, pois, só estar vivo justifica uma morte. Num espaço de tempo, mínimo que seja, tudo pode se dá. A vida pode parar, a felicidade te atravessar, um amor morrer. O inverno começar ou uma primavera acabar.

Quando vim, venha de peito aberto, traga seu melhor, esperei tempos por isso. Sábado a liberdade chega, por que as coisas acabaram, a bolsa está pronta, eu vou e ninguém me impede. Mas até sábado preciso viver. Quem sabe nós passemos a andar de cabeça para baixo, não sei, mas até sábado, tudo pode acontecer.


Posso ser teu, tu podes ser meu. Que o tempo não passe rápido, pois, tenho que viver bastante até lá. Sábado eu posso morrer, ou dar vida a primavera, pois, há horas na nossa vida que nosso destino não cabe a nós. Preciso ser eu antes de mim mesmo, posso ir alto e sábado só preciso estar aqui para presenciar a mim mesmo. 

Traz a liberdade, pode ser embrulhada no jornal mesmo, eu não ligo. Posso não ser o mais raro amor, mas ali serei eu. Pode acabar ali mesmo, ou pode durar a eternidade, cabe a cada um saber onde fica o ponto final. Saturno fará transgressão a sua orbita.

Essa historia começa no passado, atravessa o hoje e acerta algo no escuro do futuro. Esse texto nasce antes dele mesmo, se não seria pensamento que saiu no banho e desceu pelo ralo. Até para o nada, há tempo e espaço aqui.

Se der saudades, sabe onde me encontrar, se precisarmos fugir, iremos; para debaixo da cama se alguém entrar pela porta. Até o impossível tem possibilidade, pode ser que o ato me devore, dissolva os muros que construí por aqui. Só tome cuidado! São só cinco dias para sábado, e lá pode tudo acontecer, inclusive nada.

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