Um corpo no concreto

Por Cristyam Otaviano - agosto 23, 2019

No meio do concreto havia um corpo sentado.

Em silêncio, se mergulhando, respiração e inspiração. Os contrários unidos em busca de um bem que se desconhecia. No meio do concreto havia um corpo. Pacifico, inerte, silencioso... Desconhecido, ate de si mesmo.

Buscando entender a própria essência, tentando encontrar um lugar dentro si mesmo, pois lugar no mundo, não lhe havia. Era só um corpo no meio do concreto. Movimentando em si, estático, sua existência era um ruído no mundo.


Se revirando em silêncio, se mergulhando em gritos. Era só um corpo. Duvidas do que já não podia mais ser, de quem nunca foi, certezas de que jamais seria o mesmo, pergunta sobre quem se era, se é que era. Era só um corpo no meio do concreto, e nada mais.

Não existia, não era e nem vivia. Era só um corpo. Entre mergulhos, gritos, sussurros, perguntas, duvidas e certezas, era muito e isso não significava nada. Na possibilidade de nada ser aquele corpo no concreto viu, exatamente, que na possibilidade de tender a nada, ele poderia ser tudo.

Habitava o silêncio dos dias que aconteciam, verdades que vinham e iam, mas que ninguém sabia. Por ora ele às vezes até era desconhecido, mas eu via, havia um corpo no meio do concreto.

Provando da própria existência, tentando ser aquilo que nem mais se sabia se podia, era um corpo no meio do concreto. E há quem acreditasse que ele ainda fosse o mesmo. Atualizado, reconfigurado, inteiramente dono de si, da própria verdade e ainda que ele não fosse, esperaria a verdade dos tempos se provar.

Pois, a vida já havia provado muita coisa para ele e breve, não seria mais só um corpo no meio concreto.

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