12 de junho de 2016


Coisa

Os dias mais chuvosos são aqueles em que o sol nasce mais bonitos, acreditem, isso não me surpreende mais.

Sigo por entre as arvores e prédios, o sol se põe ao fundo, reflito sobre o que conversamos, o que será que isso quer dizer? A mente antecipada se prepara, armazenando filosofias e começa a se recolher para o pior, que por sinal parece estar por vim. Os planos, ate então antes repensados, entram instintivamente num Crtl + Z e voltam aos seus moldes iniciais. O céu esta belo, a lua lá em cima começa a brilhar timidamente. A situação é favorável, propicia, o sentimento se instala, finca suas amarras e demonstra claros sinais, que não esta só de passagem.

Créditos: Pixabay
A solidão serve como catalisadora, o clima favorece a produção de funções orgânicas que no me servem no momento. Relembro de outras tentativas de obter o êxito, as partidas prematuras, as musicas recomendadas por anteriores a você toca no fone "i used take you breather away" é o que diz, certeza e incerteza disputam espaço por aqui.

Crédito: Pixabay
Certo é que sei quem sou, para onde vou e onde estou, sou muito feliz por isso. Por ora repito "essa e sua ultima chance" caso contrario, resta somente o adeus para esse lugar, deixar para trás tudo e todos, ainda que seja a escolha mais dolorosa. Sonhar é grátis aos comuns, contanto, realizar vale um preço que só os corajosos estão dispostos a pagar.

Não me nego o sentimento, deixo ele ficar, o reconheço. Estou em paz quanto a isso, não me é algo familiar mas nada que me retire a sanidade mental, disposto, pago o preço no fim de tudo, por deixar isso rolar,  pode soar radical, mas já presenciei do poder mais destrutivo disso, quando seu habitat é fisiologicamente favorável.

Se fiz algo de errado não me recordo, pago um preço por ter feito tudo certo. Ser certo de mais também tem seu valor. O vento me caricia, diz, ainda que não pareça, que isso é passageiro. Mas o medo é maior e alimenta essa coisa toda, o medo por perder aquilo que tanto demorei para encontrar. Que isso seja uma fase e não apenas um estado que na menor da variação pode já não ser mais o mesmo.

Será que essa coisa é a liberdade que de tão longe que andou vem carregada de tristeza estragada do excesso de amor não usado, pura saudade?



Lá no fundo eu sentia saudades disso, de certa forma o sentimento me foi desconhecido e por isso tenho dificuldades em distingui-lo. Liberdade, solidão ou mal estar, uns ficam bem definidos se olhados por determinado aspecto, uma questão de ponto de vista.

Por ora o medo passa, a coragem, de enfrentar o que isso me traz, é maior que tudo. Por ora esse instável equilíbrio sofre perturbações mas logo trabalho para coloca-lo nas suas devidas condições. Se essa coisa que chegou e me escuta, eu ecoo bem claro na minha cabeça "seja bem vindo, chegue, me domine e me faça melhor".


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