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Por Cristyam Otaviano - janeiro 18, 2020

Ultimamente precisei ter voz e a fala me faltou. Parece que desaprendi as coisas quando me pus a chorar. Tenho tentado escrever sobre diversas coisas, os assuntos mais variados possíveis, nada sai.

Os dias andam cheios, os pensamentos são muito, os sentidos são poucos a mente nunca para num lugar só. Me pego sendo Clarice, Pedro Henrique, Heittor, Anderson, Vitória e o principal parece me faltar, Eu, só que sem eles não existo.

Meio aos papéis, pareço ter perdido minhas falas, meu discurso, não dá pra refazer passos de uma vida inédita. Preciso achar minha voz, meu tom, a cor de mim. Não consigo querer sem me saber.

Iluminaram meu interior e eu me assustei com o que vi, era só vazio, fazia eco quando se falava. Talvez esse seja meu medo, lidar com meus os ecos quando eu me por a falar e eu falo muito. Preciso pensar dentro do meu pensamento.


Me provoco, só que ainda sou tímido, tenho medo do que possa sair. Quando eu me pus a ter medo? Talvez quando eu me pus a crescer, e quando eu cresci parecia não estar aqui. Sou difícil, nem eu mesmo me entendo, exigir que me compreendam é querer transcender todas as tecnologias, não há quem me desvende.

Já me abri por inteiro, possam talvez nunca terem me entendido, vivo fora de contexto, de tempo, talvez até fora de mim e infelizmente não consigo deixar de ser eu.

Falhar comigo é o pior dos erros, ainda não sei errar, muito menos me perdoar. Tateio as paredes em mim, bato, cutuco, acendo e apago luzes, abro janelas e me reviro por inteiro na esperança de encontrar algo que me diga quem eu sou.

Sem saber eu, que é pouco o que tenho, muito menos ainda o que sou, que para encontrar minha voz e vencer os meus medos, vou precisar continuar tentando.

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