Medo

Por Cristyam Otaviano - julho 13, 2020

Não sei para quem possa está escrevendo isso, isso é quase um pedido de socorro.

Estou com medo, não daquele que me deixa sem dormir, sem ir a lugares escuros, mas o medo que me deixa sem saber de mim, pois eu estou sendo ameaçado de existir.

Sou forte, infelizmente sobrevivo aos vendavais. Só que infelizmente testemunho a todos eles na agonia de esperar tudo passar. Assistir em choro, em desespero, ver o tempo passar, as coisas me irem e não poder fazer nada.

É uma ótima hora de vestir a fraqueza. Sem máscaras, sem meias palavras, sem silêncio, serão os piores gritos que já pude soltar um dia.

Ser eu foi destinado a mim, ninguém suportaria viver no meu lugar. Viver não tem pausa, não há trégua, muito menos, fuga, só se vive, reza e espera tudo passar. Eu não suporto me viver, é penosa minha vida, e peço que não tenham pena de mim.


Nunca desejei tanto ser fraco, é pecado pedir isso?

A minha maior fraqueza não sou eu. Há coisas que não são só eu. A culpa por tudo é devastadora, ainda não consigo me perdoar por falhar comigo mesmo.

Os planos estão na bolsas, há diferentes cartas para diferentes versões de mim. Nem eu mesmo sei mais onde estou, parado no tempo talvez, me vendo ameaçado de todos os lados. Sendo forte e esperando tudo isso passar. Infelizmente sobrevivo.

Não consigo fugir de mim, desfingir o meu ser, negar a mim, sou forte e nem mesmo eu posso comigo. A gente se descobre quando não tem mais nada, e eu já descobri diversas vezes quem sou.

Cálculos me cansam, eu já cansei de me calcular e me prever. Prefiro deixar o destino me acontecer, mesmo sabendo que fim isso tudo possa ter. Meu corpo clama por calma, o abandono não será novidade, sofrer virou rotina. Praticamente contante dada na equação.

São os últimos dias de sol, até que ele volte a brilhar. Infelizmente se sente, e eu sinto muito. A técnica falha, o descaso é maior que a insanidade. Se o fim é dado, que se viva o que ainda há, porque talvez nem eu serei mais eu.

Esse é um pedido de socorro, ao mesmo tempo que é um grito de salvação e um cantar de libertação a mim mesmo e tudo que há em mim.

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