Mistério

Por Cristyam Otaviano - fevereiro 10, 2018

Ei, por que você está me olhando?

Sem julgamentos, apenas amor e sobrevivência. Dois mistérios que nunca se decifraram, não consegui entender suas cores, seus humores. E numa dessas caminhadas a noite eu invadi teu mundo, atemporal, de temperamento esquisito, de noites que atravessam horas e horas e de cheiros quase que tóxico. Deu sobrevivência a raça.


Se me perguntarem que cheiro tem essa história, tem cheiro de grama, tem gosto de veneno. Foi na dose certa, não morri, somos fortes na queda, já nos engasgamos de nós mesmos, inúmeras vezes. Foi barulhento, forte, abriu, verteu. A lua viu tudo.

Teu silêncio foi mistério, teu pulsar era indecifrável, tua vontade, desconhecida. Vou voltar lá e resgatar tudo, entender o que não ficou claro, ir fundo na tua existência, provar do mais perigoso veneno teu, ouvir tua mais secreta verdade e ter teu mais guardado segredo.

Tu calaste meu interior, fez eco no vazio que ainda existe aqui. Cansou minha vontade de te querer. A menos que me deixe, estarei aí, te decifrando. Brincou com meu juízo, me levou a declínio sem ao menos se importar. Fez de mim seu boneco, ventríloquo da vida real.


Um amante sem vontade, sem escolha, sem uma alma. Ou será que há algo aí. Não entendo o que vê quando olha para mim, mas acredito que não é o que vejo quando olho para ti. Brinquedo maldito, usado é descartado, carne ou plástico tanto faz, seus últimos segundos de recreio em minha vida, ficaram para trás.

Me julgaste antes de conhecer-me. Quis ir, e nessa ciranda desvairada da gente, descobri que há coisas na vida que merecem ficar, e valem nosso sangue, já outras, precisam ser deixadas ir. Não foi porque não lutei, que não quis ser teu brinquedo, nos teus braços ao cair da noite, cansados.

E deixá-las ir não quer dizer que um pedaço delas não ficará, como se a gravidade prendesse um pedaço de ti a mim. Fragmentos de memórias, de momentos felizes, uma felicidade passageira, momentânea, talvez até insatisfatória, mas para os olhos de um amante, um assassinato se torna loucura de amor.

Não se controla a sei mesmo, se seduz pela paixão, pela adrenalina que pulsa em suas veias, o perigo nunca foi tão amargo é delicioso. E no momento meus olhos escorrem fel.

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